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No dia 16 de dezembro, foi lançado o IdEA, Instituto de Estudos Asiáticos. Nesta entrevista, o diretor do Instituto, Prof. Eugénio Viassa Monteiro, explica o projeto.

 


O que é o IdEA?

 
"O Instituto de Estudos Asiáticos é uma entidade que se vai dedicar a estudar a Ásia, a sua evolução, as soluções expeditas para problemas, as inovações no campo social e económico, etc. Surgiu da constatação de que, hoje, toda a Ásia está em grande crescimento, tendo adquirido uma enorme importância do ponto de vista económico e social, mas também relativamente ao equilíbrio das forças. Não é que antes não tivesse peso, porque a população já era muito grande - considerando só a China e a Índia, existem 2.400 milhões de habitantes. Simplesmente, agora e no contexto geopolítico, não basta ter muita população, tem de se ter poder de compra, peso económico.


Tanto a China como a Índia, e outros países como o Vietname ou a Malásia, estão a ganhar peso, dado o seu forte crescimento económico. Não se pode continuar a esquecer uma fatia importante da população, sobretudo agora que experimenta melhorias na sua situação. É neste sentido que surge o IdEA. Primeiro, para conhecer as tendências, porque desses países chegam-nos ideias muito interessantes; aliás, devo dizer que já escrevemos vários Casos sobre entidades indianas, com respostas originais a problemas da sociedade. Depois, para difundir os acontecimentos mais relevantes no plano económico e social, porque a Europa e os outros países do Ocidente podem aprender com os países orientais. Também pensamos ser possível criar bases de colaboração com grupos económicos ou outras entidades singulares desses países. O IdEA visa dar conhecimento e estudar a evolução da realidade social e económica dos países do Oriente, de modo a que no Ocidente possa haver mais conhecimento que possibilite a colaboração."

 


Como surgiu a ideia de criar o Instituto de Estudos Asiáticos?

 
"A ideia surgiu da observação da Ásia. Temos ido frequentemente a Bangalore, com os alunos do MBA. E, de fato, quem vai à Índia e observa as grandes transformações que estão a acontecer, com pujantes inovações, nos planos económico, social, técnico, tecnológico, etc., não lhes pode ficar indiferente. Todo o Oriente está numa enorme dinâmica de modificação.


Este ano, tive ocasião de estar em Singapura, com o Dr. João Santos Lucas, e constatei que um país pequeno e imensamente pobre como era Singapura, e com grandes tensões e conflitos sociais, hoje em dia é um país extemamente desenvolvido, um país de vanguarda, a apontar rumos do futuro. Não se trata só de desenvolver economicamente uma sociedade, mas também socialmente. A convivência de pessoas de várias religiões, raças, etnias, etc. é algo espetacularmente bem conseguido e que vale a pena ser visto, acompanhado e imitado. Além disso, em Singapura, há uma notável acumulação de conhecimento em quase todos os campos. Por exemplo, na gestão dos recursos limitados, como é o caso da água, das cidades, do tráfego, dos portos, dos aeroportos, etc.

 

Atualmente, basta dizer que qualquer grande empreendimento ligado aos portos e aos aeroportos lá pode encontrar gabinetes de técnicos altamente competentes, que podem colaborar para se fazer noutro lugar uma obra de grande nível. Portanto, é de ter muito em conta as iniciativas e os domínios em que o Oriente tem ganho know-how. Na AESE, sempre se pensou que não podíamos ficar alheados do que por lá se passa. É preciso conhecer essas realidades, a par do que de melhor se pensa e se faz na Europa e nos Estados Unidos."

 


Qual a missão do IdEA?

 
"A missão do IdEA consiste, de certa forma, em aproximar o Ocidente e o Oriente. Portugal teve sempre uma grande presença no Oriente, pelo menos logo a seguir aos Descobrimentos, onde marcou presença nos mares na Índia, no estreito de Malaca, em Goa, Ormuz, etc. O mesmo sentido de aventura que moveu os portugueses no passado, faz com que Portugal não deva ficar indiferente ao que lá se está a passar hoje. E, por isso, pensamos que a AESE estaria numa situação muitíssimo interessante de ter este primeiro pé no Oriente e de marcar esta presença, para, do ponto de vista intelectual e prático, fazermos a ligação entre estas duas zonas."

 

 

Quem constitui o IdEA e quais as parcerias estabelecidas na fase de lançamento do Instituto?

 
"Em primeiro lugar, contamos com os Professores da AESE e o seu conhecimento sobre o Oriente. Pessoalmente, conheço bastante o que se passa na Índia. O Prof. José Miguel Pinto dos Santos tem muita experiência do Japão, onde durante 18 anos foi Professor Universitário, dando aulas em japonês. E temos o Dr. João Santos Lucas, que reside em Singapura, conhecendo-a muito bem e aos países circundantes. Depois, alargaremos o âmbito com colaborações de Professores que temos vindo a contactar nesses países. Também estabelecemos contactos com a Indonésia, as Filipinas e o Vietname. Enfim, alargaremos o âmbito da nossa presença à medida que o IdEA se for consolidando."

 


De que forma é que o IdEA se irá financiar?

 
"O IdEA será financiado a partir das receitas provenientes de seminários e de sessões de continuidade que realizarmos na AESE. É possível que se faça uma Associação do tipo da Associação de Amizade Portugal-Índia, com sócios que paguem quotas. Outra forma de financiamento será a prestação de serviços e a realização de estudos. Ao desenvolver uma investigação, procuraremos que o IdEA possa ter uma pequena percentagem."


A apresentação pública do IdEA realizou-se no passado dia 16 de dezembro. A Sessão de Continuidade contou com as conferências de Eugénio Viassa Monteiro e João Santos Lucas sobre a Índia e Singapura, respetivamente.