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A eletrónica ao serviço da inovação

Breakfast Seminar com a Prof. Elvira Fortunato

Membro da equipa de investigação que descobriu o transístor de papel e vice-presidente do grupo de conselheiros de Carlos Moedas, Comissário para a Investigação, Ciência e Inovação, a Prof.ª Elvira Fortunato foi a oradora convidada para o Breakfast Seminar sobre "Investigação científica com valor comercial".

Nesta sessão, os participantes ficaram a conhecer o trabalho laboratorial desenvolvido em  Portugal, em matéria de Green technologies, não tóxicas e sustentáveis. O foco do grupo de trabalho reside em inovar, apresentando soluções diferentes a nível de eletrónica transparente, papel eletrónico, dispositivos eletroquímicos, biossensores e microfluídicos, assim como nanoplasmínicos. Na investigação desenvolvida, “as soluções passam sempre por aumentar a qualidade, a velocidade e os resultados, reduzindo os custos.” Ainda que não se consiga “mexer no preço do material”, muitas vezes é possível atuar sobre “tecnologia utilizada”, obtendo ganhos desta forma.


A magia das transparências eletrónicas
As transparências eletrónicas, tidas há bem pouco tempo como mera fição, são hoje uma realidade. Combinar a transparência com a condutibilidade eléctrica foi o desafio que se impôs a esta equipa. “Estamos rodeados de mostradores, cada vez mais flexíveis. E isto é possível, porque estamos a utilizar novos materiais semicondutores - que não o silício dos metais-, atrativos pelo seu baixo custo, pela sua biocompatibilidade, por serem recicláveis, serem uma tecnologia verde e com performances eletrónicas superiores àquelas a que estamos habituados."


Que destino dar ao lixo eletrónico?
Elvira Fortunato alertou para o problema da quantidade de lixo eletrónico produzido, nomeadamente pelos países do hemisfério norte, que o têm deslocalizado para África, Índia e China. A seu ver, “não é solução. O próprio oceano está cheio de plástico. O próprio sal contém já partículas de plástico que consumimos sem disso nos apercebermos. São deitados fora 8 milhões de toneladas de plástico por ano.” Como reduzir o impacto dos resíduos é uma das preocupações que tem presente.


Do e-paper ao paper-e
Outro material estudado é o paper eletrónico: “trabalhamos com papel, porque tem um custo baixo e existe em abundância. É flexível e inquebrável, a tecnologia é milenar, destacando-se também pela sua leveza. É um bom isolante, está presente em todas as geografias e é reciclável. O laboratório aposta na produção de papel de uma forma mais rápida e sustentável, alternativa à utilização da celulose”, através do recurso a bactérias que agilizam o processo de produção deste recurso.


Após a apresentação, seguiu-se um colóquio com os presentes, ressaltando-se a mensagem final deixada por Elvira Fortunato: “o nosso sonho não é substituir o que existe, mas utilizar estes materiais inovadores em produtos ou soluções novas.”