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“A falta de confiança não se compensa com bons contratos de colaboração”

Sessão de continuidade

O Prof. Luis Manuel Calleja conduziu uma sessão de continuidade para os Alumni da AESE do Porto sobre o caso UFINET e os ensinamentos a retirar do alinhamento entre a Direção geral e os acionistas, desta empresa.

Numa entrevista, o Professor Calleja ressaltou as ideias principais a reter deste caso.
 
Qual é a originalidade do caso UFINET?
LMC: “Ao cabo de três mudanças na estrutura de propriedade, a UFINET manteve a mesma equipa diretiva, e para isto acontecer, teve de haver coerência e alinhamento entre quem negoceia, quem gere e quem é proprietário, a cada momento e ao longo do tempo: uma certa coerência como instituição.”

Regra geral, para além da situação retratada, que outros obstáculos impedem manter o alinhamento entre a Direção geral e os acionistas?
LMC: “Depende do tipo de acionista: se for industrial do mesmo setor, pode ser que tenha a sua própria equipa executiva e não precise da anterior equipa; por falta de idoneidade com origem nos maus resultados, e sempre devido a uma eventual falta de confiança (pessoal, profissional, moral...).”

Quais as ideias-chave a reter para que os decisores atuem em conformidade com a sustentabilidade e a competitividade da empresa?
LMC: “O alinhamento entre o negócio, a estrutura organizativa e a configuração institucional. Mas especialmente, a sustentabilidade ou continuidade é uma consequência de boas decisões de governo, mais do que de gestão: acertar na configuração jurídica a cada momento; ter uma boa configuração financeira e patrimonial e possuir os acionistas convenientes. Igualmente, que entre todos os acionistas ou proprietários se contribua com uma iniciativa suficiente, dinheiro suficiente e um bom uso do poder.”

Como alimentar uma relação de confiança e colaboração entre as partes, numa situação em que o poder delegado à Direção e as expectativas dos acionistas são respeitados?
LMC: “Em primeiro lugar, é fundamental que haja uma confiança prévia. Depois clarificar o "mandato" e cumpri-lo bem de forma paulatina, isto é, mais vale que haja resultados aceitáveis continuados, do que os "grandes negócios" ocasionais. Mas como sempre haverá alguma deterioração da confiança, é de seguir os seguintes conselhos: a) Não prometer o que não se puder cumprir; b) Ser mais específico nos encargos, objetivos e políticas; c) Trabalhar de modo impecável externamente; d) Ser mais justo, equitativo e cuidadoso nos encargos, prémios e sanções; d) Formalizar os gabinetes de cada pessoa e as reuniões.”