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A história de Paulo Varela

International Career Management

Paulo Varela, Business Development na Galp Internacional, sentou-se na cadeira que enfrentava os restantes participantes da sala na AESE Business School e – no seminário International Career Management - partilhou a sua experiência como expatriado.

Olhando para trás, recorda-se com 25 anos, momento no qual decidiu – juntamente com a sua namorada – que iriam desenhar rotas divergentes durante cerca de três anos. O plano parecia bem definido: ela iria para Macau e ele para Moçambique e aí tentariam concretizar o veemente ímpeto de se desenvolverem para além da fronteira portuguesa. Depois, regressariam à terra natal onde se reuniriam e casariam. Na realidade, o casamento aconteceu como previsto, mas o regresso a Portugal foi adiado por uma década.

A ida para Moçambique surgiu um pouco inopinadamente: Paulo trabalhava há cerca de dois anos no Grupo Visabeira e detetou uma oportunidade que poderia materializar-se. Soube que a empresa estava a iniciar uma área de atividade em Moçambique e disponibilizou-se para rumar a Sul. Foi esse o principal momento de metamorfose da sua vida: assumiria um percurso que o levou, mais tarde, a assumir a liderança do negócio do grupo em Moçambique.

A sua ideia inicial seria a de passar dois ou três anos em Moçambique e depois regressar, mas a riqueza do projeto prendeu-o durante cerca de 10 anos a essa realidade que tão vigorosamente abraçou e da qual se recorda com orgulho.

A verdade é que a história acabou por marcar a necessidade: Moçambique saíra recentemente de um conflito intenso que durara décadas e estava esmagado com destruição e com falta de capital humano. O terreno de desenvolvimento era amplo e Paulo recorda as suas várias fases de atuação – nas áreas das telecomunicações, da construção civil e da hotelaria – como incríveis pedaços de experiência que o expuseram a uma diversidade de negócios, desafios e operações que dificilmente encontraria em Portugal.

Em 2006, regressou a Portugal com a família, mas continuou a deter responsabilidades nas áreas internacionais do Grupo. A sua vida preenchia-se com frequentes viagens para destinos tão diversos como Angola, Moçambique, mas também França, Espanha ou Emirados Árabes Unidos, onde contribuiu igualmente para o desenvolvimento do negócio. Os traços que os aviões marcam no céu poderão representar um pedaço do que Paulo vivenciou durante essa sua situação de parcial expatriação.

Hoje, já na Galp Energia, é responsável pela gestão das operações e pelo desenvolvimento do negócio na África Austral, pelo que se embala com frequência nos aquecidos assentos dos aeroportos, que o acolhem entre viagens até Moçambique, África do Sul, Zimbabué e Suazilândia. A família está em Viseu e Paulo vê os ponteiros do seu relógio avançarem em Lisboa ou em viagens pelo mundo. Ri-se ao dizer que é “duplamente expatriado” e sente a mulher como um pilar essencial na vida que escolheu.


Conselhos
Paulo participa em várias sessões de partilha e de aconselhamento e dirige-se aos jovens em início de carreira com a firme convicção de que a globalização é uma situação irreversível. Será importante, pois, que nos consideremos disponíveis para abraçar uma geografia mais abrangente, que produzirá vantagens competitivas e de aceleração de carreira. Porém, é indispensável que:

  • Exista uma grande resiliência pessoal e capacidade de sacrifício
  • Encontremos vantagens financeiras
  • Vivamos numa situação pessoal/familiar equilibrada e adequada, que valorize a descoberta e a valorização profissional
  • Tenhamos capacidade de adaptação cultural: “Por exemplo, se não temos capacidade de alguma informalidade em Moçambique, dificilmente estabelecemos relações de confiança com as pessoas.”


Escrito por: Carolina Taveira (ELPing)

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