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“A inovação tem sido uma driving force para o sucesso”

Entrevista a Pedro Alvito, redator dos casos

A AESE, pioneira no ensino com o Método do caso em Portugal, aliou-se à COTEC na promoção de situações empresariais em que a inovação foi a resposta encontrada pelos responsáveis das empresas em momentos dilemáticos. A TMG - Automotive e a Solancis foram as organizações estudadas e que trazem aos dirigentes que os estudam a oportunidade de se posicionarem como os decisores e optarem pelo caminho a seguir pelas companhias.
Pedro Alvito, CEO da Private Gallery, Senior Teaching Fellow  e Alumnus do 42.º PADE da AESE, conta como aceitou o desafio de passar para o papel situações reais em que os líderes destas empresas decidiram inovar.

Como surgiu a parceria entre a AESE e a COTEC, na ótica de um mundo 4.0 ?
PA: “A ideia surgiu a partir da iniciativa conjunta do Prof. Ramalho Fontes, da AESE, e do Eng. Jorge Portugal, da Cotec, de realizar uma iniciativa comum que permitisse dar a conhecer casos empresariais que fossem exemplos de como a inovação tem sido uma driving force para o sucesso dessas empresas, em termos de competitividade em Portugal e no exterior.”

Quais os principais desafios ao escrever os casos sobre a TMG - Automotive e Solancis?
PA: “O desafio principal tem pouco que ver com a empresa propriamente dita, mas sim com quem escreve. Tem que ver sobretudo com a nossa capacidade de absorver a essência da organização, de entendê-la e conseguir transmiti-la. Para além dos números, da história e da realidade que se pode ver, há uma linha condutora da empresa que a torna diferente de todas as outras. Na prática, passa por tentar ver a empresa pela alma do seu gestor, de dentro para fora, e não o contrário, para não corrermos o risco de fazer um trabalho meramente descritivo e noticioso. Conhecer a essência e as pessoas que fazem mover a organização permite-nos perceber a realidade concreta da empresa e perceber porque a empresa é assim e não outra empresa qualquer. Obviamente tudo isto tem que ser feito sem qualquer juízo de valor para que depois quem estuda o caso possa construir a sua própria opinião e discutir, contrariar ou apoiar aquilo que foi e irá ser feito. O desafio maior passa e passou exatamente por aqui.”

Qual a tomada de decisão que estes casos em particular desafiam os leitores a tomar?
PA: “São dois casos em que a inovação é o motor das duas empresas. A forma arrojada e inconformada como ambas atuam no mercado é uma lição de boa gestão. Perceber a história das empresas, a forma como sempre responderam aos desafios, a coragem com que algumas vezes o fizeram desafiando o “conformismo”, obriga os leitores do caso a olhar para o futuro e a pensar em como se poderá naquelas empresa continuar a fazer a diferença. A vantagem destes casos em que o leitor está a viver a mesma realidade, no mesmo horizonte temporal do CEO, é que ele tem que “arriscar” a decisão e não se limitar somente a ser comentador de decisões das quais já se sabe o resultado. O desafio é exatamente esse, que o leitor seja ele próprio o decisor e não o “analista” de decisões tomadas por outros.”

Como foi a relação com a empresa, aceder à informação e desenhar a situação dilemática retratada no caso Solancis?
PA: “A relação com as empresas foi excelente. Quer na TMG - Automotive, quer na Solancis, foi muito fácil aceder à informação necessária para a elaboração do caso, salvaguardando a confidencialidade sempre existente e obrigatória quando estamos a trabalhar com o futuro real das empresas. As duas empresas são muito diferentes em termos de política de comunicação e há que entender isso e respeitar a diferença. Mas embora o segredo ainda continue a ser a alma de qualquer negócio, o saber passar a informação verdadeira e de forma transparente e clara faz parte de uma correta política de comunicação empresarial. Julgo que foi possível escrever estes casos de uma forma em que é fácil entender a motivação dos CEO das empresas e a problemática que os desafia em face do futuro. Ambos foram muito verdadeiros e explícitos nas suas afirmações e no expressar das suas preocupações. Compete ao leitor conseguir colocar-se no papel destes gestores e compreender as suas preocupações, porque o futuro será feito por eles, que são pessoas reais com uma linha de trabalho bem definida e bem explicada, a qual se projeta do passado para o futuro.”