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A razão e o coração na hora de investir

AESE organiza workshop com Startup Angels

Startup Angels foi um workshop realizado na AESE, em parceria com a Women Win-Win, realizado a 3 de maio, em Lisboa.

O evento contou com a conferência do experiente Business Angel, César Bardají, que respondeu a algumas questões relacionadas com o tema do encontro.

Como Business Angel, quais os triggers que funcionam como “garantia de sucesso” na hora de investir?
CB: “São todos os aspetos em geral. O modelo de negócio, o trabalho que estão a realizar, a sua visão, a fase de desenvolvimento do projeto… i.e, tudo o que tem a ver com uma startup, com uma empresa e também com os empreendedores. Mesmo que seja um empreendedor, ou uma pequena equipa constituída por 2 ou 3 pessoas, tenho de olhar para elas e estar convicto de que acreditam na visão que estão a partilhar comigo e que estão dispostas a lutar o tempo que for necessário e fazer todos os esforços para atingir o objetivo. Também é preciso avaliar se são pessoas sólidas, se são capazes de ouvir, de falar, de reagir, de tomar decisões, porque nem todas as alturas são fáceis.”

Quais são atualmente os setores mais tredy para investir?
CB: “É verdade que há setores que estão mais em voga agora do que no passado. Antes falava-se muito de e-commerce e agora fala-se muito de alta tecnologia, inteligência artificial, deep learning, entre outros temas.
Considero-me um investidor agnóstico, o que significa que, para mim, são muito mais importantes as pessoas e algumas caraterísticas das empresas como, por exemplo, a sua capacidade de crescimento para atingir uma dimensão internacional ou global, e não tanto se a empresa faz parte desta ou daquela indústria.
Gosto muito mais de empresas que acompanham a revolução digital e a Internet."

Qual foi até agora o investimento mais emocionante que teve ocasião de fazer?
CB: “Todos são muito emocionantes, porque se somos investidores ativos, colocamos não só dinheiro, mas também muito tempo. E quando há tempo, há emoções, há uma ligação emocional com os empreendedores, com o resto da equipa e com os nossos colegas, que são os coinvestidores.
Se falarmos de empresas onde tenha feito de um ponto de vista quantitativo um retorno de investimento elevado, se calhar teria de falar da Wallapop, Habitissimo ou Red Points, das quais já tenho saído e alcançado valores importantes. Mas a intensidade muitas vezes não tem a ver com o retorno económico.”

Quais são os fatores críticos de sucesso de um investidor?
CB: “Um fator crítico de sucesso é falar e relacionar-se com o coração, mas tomar as decisões com a cabeça. Isso é fundamental. Por exemplo, na quantia que se investe em cada startup, ou no valor total das nossas poupanças que irão ser destinadas a cada tipo de atividade.
Outra questão é, por exemplo, qual o momento adequado para sair. Isso, porque não temos de continuar numa empresa para sempre – pode até ser perigoso. De facto, pode acontecer que uma startup tenha sido muito bem sucedida e o retorno do investidor ter sido quase nulo.
O importante é ser capaz de separar a parte emocional da parte mais racional. E as duas estão muito, muito implicadas. Outro exemplo é fazer-se um investimento e dentro de 6 meses, 9 meses, ser necessário investir mais dinheiro.
Pode colocar-se dinheiro em várias startups por existir um relacionamento emocional com quase todas as empresas. Não é de investir, quando isso vai contra os nossos princípios lógicos de investimento.”

E os fatores críticos de sucesso de um empreendedor?
CB: “Para um empreendedor, a velocidade é essencial. De facto, a revolução digital e a Internet o que estão a fazer é eliminar ou esbater imenso o espaço e o tempo. Isso dá-nos a vantagem de agir muito rapidamente e atingir também com grande rapidez uma dimensão internacional. Essas são as vantagens desta revolução e o que temos de conseguir acompanhar.
No mundo tradicional, era perfeitamente normal que, com os lucros de um ano, com a caixa disponível, fazer-se o reinvestimento necessário ao crescimento da empresa. Mas no contexto da atual revolução, isso já não é suficiente. Há que conseguir dinheiro adicional, para acelerar a empresa rapidamente, de modo a conseguir que ela esteja presente no plano global. Para isso, faz falta mais dinheiro.”


O que pensa da AESE desenvolver estas ações de incentivo ao investimento e ao empreendedorismo?

CB: “Acho muito positivo. E sugiro que a AESE faça mais, porque o momento é chave. Estamos apenas no início da revolução digital e da Internet. Quem estiver a promover o empreendedorismo em geral, o empreendedorismo ligado às áreas digitais e da Internet, quanto mais, melhor!
O que posso dizer como mais um elemento desta revolução, da qual tento partilhar os conhecimentos que vou adquirindo, é que estamos apenas a ver o início. As pessoas que pensam que com os smartphones e com os smartwatches, esta revolução já acabou, estão enganadas. Estamos apenas a ver o início.
É muito, muito importante que as pessoas jovens, que estão agora a estudar, ou as pessoas de meia idade, que se calhar têm mais experiência e mais meios económicos, possam ajudar nesta revolução.”

No Startup Angels Workshop, foi apresentado um estudo recente desenvolvido pela plataforma Women Win-Win e um painel, quer de empreendedores, quer de investidores, que deram a conhecer os desafios e as oportunidades encontrados ao longo do caminho.


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