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Carreira internacional: planear e arriscar!

International career management

A experiência de profissionais portugueses bem sucedidos lá fora foi o elo de união entre os oradores convidados pela AESE, para um evento exclusivo para Alumni do Executive MBA. Eduarda Luna Pais, Diretora geral da Elping Organizational Fitness e Professora da AESE, foi a responsável por esta sessão, no dia 9 de março.

“Havia uma preocupação de ter uma proximidade geográfica. Reunimos duas pessoas que foram para fora de Portugal com empresas portuguesas, que o fizeram com alguma rede multinacional e, no final, vamos falar de dois portugueses mais aventureiros que foram sem rede, e por eles, para fora de Portugal.”

Eduarda Luna Pais orientou as apresentações dos oradores, questionando-os sobre as oportunidades e os desafios que se lhes despararam.


Expatriados fora das fronteiras de uma multinacional


Polónia: uma experiência dura, na qual se aprendeu muito
Inês Correia de Oliveira, Diretora na Wealth Management Unit do Millennium BCP private banking business, trabalhou na Warsaw como Treasury Officer no Bank Millennium, Poland e regressou a Portugal, onde desenvolveu as suas competências em várias áreas.

“A decisão foi combinada com o Banco” contou. “Eu exercia funções na área de tesouraria que era onde eu estava na altura, como responsável por essa área. Quando me fizeram o convite, fiquei bastante surpreendida. Pensei que era um desafio, uma forma de me desinstalar do meu rame-rame diário, pois era uma função que desempenhava há algum tempo. Era um cargo de muita responsabilidade e, como é óbvio, o desafio em si, atrai. Isto para mim foi o primeiro pró, ou seja, aquilo que me trouxe de vantagens, que me atraiu quando convidada.

Depois, as reticências: a Polónia para mim era um país estranho, numa Europa de Leste que eu não sabia em que estado estava. Também era uma questão familiar e pensava no apoio que iria ter. A decisão teve de ser muito rápida, porque o convite foi feito nos meados de junho. No dia 22 de agosto, estava na Polónia.

Fui muito bem acompanhada pelo Millennium bcp. Tive um apoio fantástico a todos os níveis de integração.

A vivência na Polónia foi dura, mas como todas as experiências duras, aprende-se muito. O meu primeiro receio quando me desafiaram, foi: primeiro, se estarei à altura? Segundo, se serei aceite, porque é uma cultura e um povo completamente diferente que eu nem sequer conhecia. Depois, sou mulher e vou chefiar um departamento com 50 pessoas, todas polacas, sendo que a pessoa que fui substituir já não estava lá.

O principal desafio é a pessoa desinstalar-se, aceitar ir para uma cultura completamente diferentes da nossa forma de trabalhar. É um povo que, por si, é um pouco apático. É uma experiência muito enriquecedora, até do ponto de vista profissional, porque temos de aprender muita coisa nas tarefas que desempenhamos; como do ponto de vista pessoal, conhecer uma realidade diferente que não é só aquela a que estamos habituados na nossa forma de pensar e de ver.”

O sucesso “acho que depende de muitos fatores. Primeiro, daquilo que cada um coloca como pilares fundamentais, que é o trabalho, a família e depois a questão financeira. E que grau se atribui a esses três fatores. Diria que, à partida, é sempre uma experiência muito enriquecedora, que nos abre os horizontes para outras realidades, outras formas de pensar, outras formas de trabalhar. Depois, em função desses três pilares, há que pesar os prós e os contras de cada um deles, o que é que é mais importante, se é o trabalho em si, se é a família, se há condições também para a família se integrar, porque uma pessoa que vai exercer funções para outro país, por muito bom que seja, se a estrutura familiar não acompanhar, pode não valer nada. Pode-se ganhar por um lado e perder-se por outro.”


“É mais simples tomar uma decisão dessas quando se tem 25, 26 anos”
Paulo Varela, COO na Galp, na África oriental. Com uma vasta experiência em Business Development e na Comissão Executiva de empresas internacionais conhecidas. Trabalhou em contextos tão díspares como Portugal, Angola e França. Rumou a uma carreira internacional numa fase mais avançada.

“Num primeiro momento, tinha 25 anos, estava a trabalhar há dois anos e fui para Moçambique, onde estive entre 1995 e 2000. Depois, assumi responsabilidades numa área de negócios limítrofe. A seguir, em 2006, saí de Portugal com a minha família e assumi responsabilidades na área internacional. Passei uma parte substancial, entre 2006 e 2012, em França e Alemanha, onde também desenvolvi negócios.

Saí do grupo em finais de 2014 e, neste momento, estou na GALP Energia, onde desenvolvo negócios na África Austral. Passo metade do meu tempo em Moçambique, na África do Sul e nos países limítrofes de Moçambique.

É mais simples tomar uma decisão dessas quando se tem 25, 26 anos, do que mais tarde, quando já se tem uma família e onde o quadro de decisão se torna mais complexo nesse contexto.

A empresa estava a iniciar uma nova área de atividade em Moçambique e disponibilizei-me. Acabei por ser selecionado e fiz um percurso que me levou mais tarde, quatro anos depois, até a assumir a liderança das atividades em Moçambique, onde já tinha uma atividade mais regular a partir de 1990 em diante.

Inicialmente, o meu objetivo era estar dois, três anos, mas acabei por estar dez anos nesse projeto e foi particularmente gratificante. Tenho participado também em muitas sessões do programa Contacto da AICEP e tenho aconselhado, principalmente os jovens, pessoas que têm disponibilidade pessoal e familiar que lhes permita fazer um período fora de dois, três anos, pois acho que é vantajoso. É um acelerador de carreira muito relevante, especialmente em mercados como aquele para onde fui. Se calhar, em mercados mais desenvolvidos, as exigências serão outras e a experiência que se retira não será tão abrangente, mas num país onde estava tudo por fazer, aliás o país estava a sair de um conflito armado, estava praticamente destruído, o capital humano estava por desenvolver, e o projeto em que estive envolvido que era nas telecomunicações, na construção, toda a rede de infraestruturas a nível do país, construção civil, deu-me uma experiência, expôs-me a uma diversidade de atividades que dificilmente seria possível num outro contexto. Acabei por ter de assumir funções de responsabilidade, de liderança de pessoas.

Se formos para Angola numa lógica de exigência alemã, de cumprimento de horários, por exemplo, se não tivermos capacidade de alguma informalidade nas relações, dificilmente haverá confiança entre as pessoas e, nesse aspeto, os elementos são os mesmos que com os polacos.
Há, portanto, um conjunto de caraterísticas e penso que três, quatro anos neste contexto, dá-nos uma experiência que demoramos 14, 15 ou 20 anos a adquirir noutros contextos. Esse foi o aspeto mais relevante dessa experiência.

Até quando valerá a pena ter disponbilidade e algum sacrifício pessoal forte? Há aqui um paradoxo frequente entre o esforço pessoal e familiar e até o esforço adicional que recai sobre a minha mulher de educar na maior parte do tempo os nossos dois filhos, pois estou bastante mais ausente, mas é uma ponderação que vamos fazendo. Até ao momento, temos achado que vale a pena, mas não deixa de ser difícil, não deixa de ser algo que cada pessoa tem de avaliar de forma muito sólida e muito concreta.

No meu caso é algo que pesa e não sei se será algo que durará muito mais tempo, até porque dependerá muito de uma série de fatores. O que é facto é que estou a fazer algo que profissionalmente é particularmente interessante. A questão financeira num primeiro momento pode ser interessante, ou haver perspetiva de crescimento profissional ou de crescimento de carreira, mas é preciso perceber interiormente se nós estamos preparados para nos afastarmos da família, dos amigos, da vida a que estamos habituados.

Tive muitos casos de colegas meus, em que efetivamente se percebia que ao fim de três, seis meses, estavam em esforço. Se a pessoa não conseguir afastar-se, se calhar é preferível não enveredar por esse caminho. É o meu conselho.”


Progredir dentro de uma multinacional

Poucos querem uma carreira internacional
Nuno Rosa é o PMI Global Go-to-Market Strategy Team Leader da Coty, sediada em Paris. Trabalhou em vários mercados e indústrias europeus.
“Temos de ir à procura das oportunidades. A pessoa tem de se posicionar em face dessa oportunidade. Particularmente, partindo de Portugal, claramente que é preciso um esforço muito claro e ter uma determinação grande e impulsionar-nos para essa expatriação. Depois, como em tudo na vida, ou em muitas coisas na vida, o casamento com as oportunidades depende da vontade da pessoa e da necessidade da empresa e das oportunidades que podem aparecer.

A Coty, não sendo uma empresa muito conhecida, cresceu imenso nos últimos 15 anos. É uma empresa de beleza, a terceira maior neste momento a nível global. Tem marcas como Calvin Klein, Boss, Gucci, nos perfumes e na maquiagem, como Rimmel, Max Factor e o seu crescimento também me ajudou a ter essa oportunidade.

A ida para Amesterdão foi uma experiência extraordinária, com desafios enormes, com exposição a uma cultura completamente diferente.
A minha decisão teve de ser rápida. Claramente a nível local, vá-se ou não com a família, é muito importante escolher o círculo social, o círculo de vida que se vai lá ter. Tenho a experiência da Holanda, em que no primeiro ano é trabalho, trabalho e pouco mais. Mas o que é muito importante é sentirmo-nos em casa nos dois sítios. Eu como tenho dois filhos, vinha nos primeiros 18 meses todas as semanas, ao fim de semana, depois, de 15 em 15 dias, mas é também muito importante sentir-me em casa em Amesterdão. E acho que essa é uma conquista que se deve fazer, ter cabeça para isso.

Tenho uma experiência mais recente, dos últimos 18 meses, em Paris. Estou de saída da Coty. É uma transição nova, em que é sou um expatriado sob expatriação. Tive a limitação geográfica da Europa, por causa dos meus filhos, isso era inegociável. Duas cidades é gerível, o mundo hoje é pequeno, mas três cidades não é fácil.

É muito importante ter muito claro o que se quer, estar disponível e perceber que se tem de gostar de desafios. Esses desafios são a nível pessoal e profissional, de integração.Vai haver necessidade de absorção, de aprendizagem, com culturas diferentes, e tem de se ter muito claro que se quer isso e ter flexibilidade para usufruir dessas experiências da forma adequada.

No caso de uma multinacional, regressar não existe. Particularmente se estamos a falar na área de consumo, como é o meu caso.

Ao contrário do que se possa pensar, não há uma população assim tão alargada numa companhia de pessoas disponíveis para sair, ou de pessoas com mobilidade assim tão grande. A partir do momento em que se está num ambiente de mobilidade e em que estamos num mercado muito pequeno (aliás, em Portugal, se não é nulo, é quase nulo), temos de estar preparados para o próximo passo, o que é normal. A começar, temos de começar por nós.


"A experiência internacional é um must"

Pedro Figueira é o General Manager da Colgate Palmolive na África Central do Sul. Teve uma experiência internacional rica no Chile, Filipinas, Brasil, USA e está atualmente baseado em Joanesburgo.

“A experiência da expatriação foi bem desenhada. No meu caso, o convite veio em agosto, no meu aniverário, quase de propósito, estava eu a dar um banho à minha filha no Algarve, quando me ligaram a convidar para assumir a direção de vendas no Chile, que era uma realidade que me passava completamente ao lado.

Foi um convite que me surpreendeu, obviamente, mas eu já tinha manifestado à companhia o interesse de sair de Portugal e de começar a minha carreira fora. Fomos conhecer o país, uma realidade muito diferente, do outro lado do mundo.

Foi tudo muito bem estruturado, porque nós temos muitos expatriados a nível global. Em termos culturais, obviamente que é sempre um grande desafio. Foi ultrapassado: gostámos imenso da nossa experiência no Chile, foi relativamente curta, não chegou a dois anos, mas trouxemos desde logo uma chilena, o que é uma coisa sempre memorável. E adorámos a experiência lá. Como primeira experiência profissional foi muito bom. E também a nível profissional foi muito gratificante e permitiu-me avançar para outros desafios noutras geografias.

Todos os países foram relevantes, estruturas de mercado radicalmente diferentes. As Filipinas era uma realidade completamente diferente do Chile. O Chile já tinha sido muito diferente de Portugal e depois no Brasil sentimo-nos muito em casa, com as telenovelas, o jeitinho brasileiro muito parecido com o nosso jeitinho português, se bem que mais refinado, diria eu.

O Brasil foi uma experiência fabulosa. Trabalhei com profissionais de altíssimo gabarito e gostei imenso. Foi uma experiência muitíssimo enriquecedora também. Tenho muitos amigos no Brasil e é com muito prazer que vejo hoje em dia várias pessoas da minha equipa a singrarem não só dentro da Colgate, mas fora da Colgate em cargos muito relevantes.

Depois fomos para os Estados Unidos. Imagine-se o que é sair de São Paulo, com 18 milhões de pessoas, e cair no meio do Arkansas, exatamente a meio dos Estados Unidos, numa cidade com 30 mil pessoas. Costumava dizer que o bairro onde eu vivia em São Paulo era maior do que o estado para onde fui viver nos EUA. Muito fechados, muito simpáticos, muito corteses, super civilizados, mas muito, muito fechados. Foi uma experiência também muito enriquecedora no aspeto pessoal. Eu tinha um lugar global, pois tinha de viajar para todo o mundo e isso também me enriqueceu naturalmente.

A mudança para a África do Sul deu-se no contexto de uma evolução na carreira, uma evolução natural, em que eu queria ter um lugar de gestão de maior responsabilidade, não só em termos geográficos e isso foi uma oportunidade única.

Com Trump ou sem Trump, a realidade é que vivemos numa aldeia global e é irreversível, já somos demasiados neste planeta. E, portanto, a experiência global ou a experiência internacional, diria que é um must.

Eu adoro Portugal, duas vezes por ano faço questão de regressar a Portugal e num futuro, que espero seja longínquo, fazer a minha reforma em Portugal, mas de qualquer forma acho que é importante nós termos todos essa capacidade de nos encararmos como cidadãos globais e isso ajudaria muito até politicamente, diria eu.

O apoio familiar foi fundamental. Não sei se repararam, mas usei sistematicamente a primeira pessoa do plural, eu consigo dizer a primeira pessoa do plural, porque realmente sem a minha mulher e sem as minhas filhas, teria sido algo muito mais difícil. Conseguimos ter amigos em todo o mundo e diria que tem de haver um apetite, tem que haver uma abertura para o desafio.


Go abroad on your own


Do paternalisto empresarial ao novo paradigma de “Eu no comando”

Miguel Caeiro é o Country Manager na Lookout Brasil e Latão, especialista segurança móvel. Nos últimos 7 anos coordenou a implementação bem sucedida de projetos de ativação de elevado potencial para marcas internacionalmenete reputadas e para entidades governamentais no Brasil.

“Vivi 20 anos da minha vida profissional em Portugal, em grandes corporações. Tive grandes desafios de expatriado na Unilever, onde estive durante 10 anos.

Num balanço de 27 anos de carreira, considero importante dizer o que fiz de errado: não querer sair da minha zona de conforto cedo demais. Aos 2, 3 anos de companhia, fui desafiado para ir para a Hungria e esta, em 1993, não era a coisa mais atraente no mundo, mas teria sido de facto um desafio extraordinário. Passados dois anos, fui desafiado para ir para São Paulo e teria sido magnífico. Passados mais dois anos fui desafiado para ir para Londres e nunca quis sair por uma série de fatores.

De facto, foram erros que cometi que me levaram obviamente a terminar a minha carreira numa multinacional, onde já era diretor de marketing há cinco anos - e se eu não queria ser expatriado, as regras são essas…

Fui para outras grandes organizações no contexto português, grupo Impresa, Portugal Telecom. Vivíamos numa época em Portugal, nos anos 90, em que se vivia bem, havia conforto, tínhamos carreiras saudáveis pela frente e dávamo-nos ao luxo de recusar ir para o Porto.
Acho que o português não nasceu para ser móvel.

No cenário tal qual o conheço hoje, de uma forma mais global, este estatuto de expatriado está em vias de extinção, não existe mais. Também trabalhei 5 anos para o governo espanhol, não estive a morar lá, mas passava em Espanha mais de metade da minha vida e, portanto, pode-se considerar uma expatriaçãozinha, mas é aqui ao lado. O que é que me levou a dar este grande golpe de loucura e desperdiçar tudo isto?
Foi um jantar em Madrid, em que ao fim de 5 anos a liderar uma instituição financeira do governo espanhol entre o Santander e o BBVA, eu dizia que aquilo não era o meu ADN: precisava mais de marketing, mais de consumo, de telecomunicações. Eles disseram-me que me queriam levar para o Brasil como Presidente, acabavam de comprar quatro companhias e coordenar projetos.

Passada uma semana, recebi um telefonema a dizer que a companhia de 51 % do governo espanhol, tinham acabado de mudar de governo, no final de 2009, a dizer que aquilo era um lugar muito apetecível e que havia um boy que gostava de ir para o Brasil! Que eu desculpasse.

O Brasil ficou-me atravessado. E o que é que vou fazer? A minha mulher já tinha desde 2003 uma micro empresa. Decidi pegar nisso e acrescentar-lhe o marketing. Planeei fazer isto até 2010 e se corresse bem, partiria para o Brasil.

A coincidência dos 40 anos, a faculdade financeira zero e Portugal em 2010 que não era a coisa mais atrativa do mundo, estávamos a entrar num buraco assustador. Houve uma coisa que ainda me assustou muito: eu não me imagino a aposentar-me aos 55, 60 anos. Imagino-me a trabalhar até morrer.

O Brasil sempre foi uma constante na minha vida profissional, sem nunca sequer pensar em ir morar para lá. E, de facto, é um mercado fascinante. Estudei o mercado e uma das coisas que eu sabia é que sem um parceiro local era impensável. Tinha de ter algum network para saber onde ia pisar. Estive durante um ano a "construí-lo".

Ninguém tratou da minha parte fiscal, ninguém tratou da escola dos meus filhos e, portanto, o Miguel foi sozinho e eis-me, em 2011, para o Brasil. E deixei cá a família.

A aprendizagem vivida, a abertura ao mundo que dou aos meus filhos, a história enquanto casal que consegui construir, o núcleo familiar com uma riqueza absurda é fascinante. E cada vez menos interessa a parte financeira.

Hoje em dia quem tem de ir procurar oportunidades sou eu, quem tem de desenhar a minha carreira sou eu. Eu quero fazer uma carreira neste setor, eu quero fazer uma carreira nestas geografias, quero poder limitar-me à Europa, quero poder limitar-me noutro sítio. Se isso por acaso puder acontecer dentro da mesma empresa, diria que as chances disso acontecer hoje em dia são de 5 %.

Daqui a 3, 4 anos, poderei voltar à Europa por uma questão de proximidade. Hoje estou numa multinacional que vale 2,5 mil milhões de dólares.”


Dar escala à própria carreira

Miguel Moreira Rato é o Senior Director na Teach For All. Sediado em Londres e em Washington DC de onde lidera as comunicações em 42 países. Antes de integrar a Teach For All, Miguel foi jornalista financeiro em vários media de Portugal, assessor de comunicação do Ministro da Economia e fundador de duas consultoras em comunicação: Ogilvy Public Relations e M Public Relations. Deixou esta empresa em 2014 para perseguir o seu sonho de uma carreira internacional em Public Affairs.

“Eu tinha 40 anos quando tomei a decisão de fazer uma mudança radical de vida. Tinha uma agência de comunicação, com grandes conquistas (o Millennium bcp como nosso cliente durante 9 anos, o que me encheu as medidas). Mas eu tive sempre aquele bichinho inquieto de por que é que eu não procuro ou provoco uma oportunidade de eu próprio olhar para a minha profissão, para o que eu faço, em termos de profissional de comunicação e não faço scale up da minha própria oferta. Ou seja, quis perceber como é que: se faz comunicação noutros países? E com o background de 15 anos de agência e depois alguns de jornalismo, o que é que eu posso  trazer de valor acrescentado ao ambiente internacional?

Outra coisa importante entre todas as razões que me fizeram pensar em sair, foi que para grande parte dos clientes que eu tinha (e eram multinacionais), Portugal na escala desses clientes era o país D. Ou seja, o país A é o headquarters onde tudo acontece, onde há os criativos das relações públicas da comunicação, que fazem e acontecem. No país D, executas, mesmo que não queiras. E isso, de facto, para uma pessoa inquieta e empreendedora, insatisfeita, começa a causar algum transtorno.

Um terceiro elemento muito importante. Eu tenho três filhos, rapazes, um com 17, um com 14 e outro com 12, e eu gostava muito de expô-los. E achei de facto que poderia ser muito difícil, pois as idades deles são bastante complicadas para uma pessoa sair.

Mas estas três razões fizeram-me passar um bocadinho da inquietude à ação. Essa é a primeira coisa que me cumpre dizer, é que a decisão pode estar a marinar na nossa cabeça durante muito tempo. Se está a marinar convém pô-la em ação. E, portanto, em família, nós decidimos que íamos experimentar. Vendi a agência de comunicação que tinha, fiz um plano para ver quantos meses é que dava para com o que ganhei investir na loucura - e esse plano é importantíssimo.

O plano permitia 6 meses à procura de trabalho, findos os quais, provavelmente o pior que me podia acontecer era ir bater à porta de um cliente antigo e dizer: olhe, posso ser um freelancer para si durante uns tempos, ganhar algum dinheiro e depois se calhar, voltar e enveredar por uma agência?

Portanto, planear, planear, ir para uma base e depois investir.”

A sessão prosseguiu com um espaço de perguntas e respostas aos oradores, em que os particioantes poderam trocar opiniões e avaliar as opções de enveredar por uma carreira internacional que mais se ajuste à sua realidade.


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