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Expatriação: uma experiência amplificada como profissional e como pessoa

Breakfast Seminar “Career & Management”, a experiência de Ana Paula Carvalho, Essential Health Country Lead and Co-Chair of the European D&I Council, da Pfizer

Ana Paula Carvalho (APC), que rumou para Itália com a responsabilidade de Essential Health Country Lead and Co-Chair of the European D&I Council, da Pfizer, deu a conhecer a sua vivência como expatriada, desde a tomada de decisão até ao momento. A par de outros profissionais com carreiras internacionais, a Alumna da AESE falou, no dia 21 de dezembro, sobre os principais desafios e das oportunidades que esta experiência lhe aportou.

Quais as três ideias chave que destaca da sua experiência profissional?
APC: “Aquilo que quero destacar, é que este processo nos transforma enquanto pessoas, porque é extremamente enriquecedor. O que sublinho também é a perspetiva da resiliência. Adquirimos competências e capacidades que até achamos que já temos, mas que são amplificadas. A outra perspetiva que queria passar para quem está a pensar ter esta experiência de expatriação, é nunca subestimar o impacto cultural.

Muitas vezes, até achamos que os países podem ser parecidos com Portugal e que vai ser mais ou menos a mesma coisa. Não, isso não existe. As diferenças culturais, as diferenças na forma de ser, de estar, todo o background daquilo que se encontra para o país aonde se vai, existe, é uma realidade e é impactante.

A terceira ideia que gostava de partilhar, é não subestimar a capacidade de adaptação das crianças. Acho que os adultos têm o receio de que os miúdos vão sofrer ou que o impacto neles vai ser muito grande. Não, o impacto é mais nos adultos do que nas crianças. A capacidade de se adaptarem, de ficarem até deslumbradas com a diferença e com aquilo que vão descobrir, é muito positiva para elas e surpreendem-nos.”

E quais pensa terem sido os fatores decisivos para que esta experiência tenha sido bem sucedida a nível profissional e pessoal?
APC: “O fator decisivo foi a minha família. Primeiro, a decisão de mudar de Portugal e ir para Itália passou por uma decisão familiar. Falei com o meu marido que me apoiou. Aliás, eu era a mais resistente à mudança. Na minha cabeça eu ia recusar o lugar em Itália e foi o meu marido que me fez reconsiderar e dar-me outras perspetivas daquilo que seria bom para a família com a mudança. Falámos depois com os meus filhos, que na altura tinham 13 e 14 anos. E também nessa altura me surpreenderam, porque também eles estavam abertos à mudança. Penso que aconteceu, porque ao fim de 10 anos numa escola, eu mudei-os. E essa mudança para uma outra escola e a vivência nessa nova instituição durante um ano, preparou-os para a mudança de país. A família é um porto de abrigo. Nós sempre tivemos uma relação muito próxima e muito saudável em Portugal, mas mais uma vez isso é amplificado. Porque estamos efetivamente sozinhos num outro país. A nossa família alargada ficou em Portugal. Tudo o que conhecíamos, desaparece. Até a coisa mais simples, como onde é que vou comprar peixe fresco… Tudo desaparece e, portanto, contamos connosco. A família é fundamental. E, se a família está bem, o resto vem por acréscimo.”     

E qual é o próximo passo?
APC: “O próximo passo… Eu já tive possibilidades de vários próximos passos nestes quatro anos e meio em Itália. O próximo passo é sair de Itália e penso que 2018 vai ser um ano de mudança. Hoje em dia, há várias possibilidades em cima da mesa. Ou continuar na Europa, ou sair da Europa. É o que eu digo: espero que até ao final de janeiro tenha maior clarividência em relação ao próximo passo. Mas existem já vários cenários e todos são bons.”


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