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Famílias felizes fazem Empresas familiares saudáveis

A Comunicação nas Empresas Familiares, com Prof. Carlos Folle e Peter Villax

A AESE organizou em parceria com a Associação das Empresas Familiares uma conferência subordinada ao tema “Comunicar: uma estratégia para o sucesso das Empresas Familiares”. O evento realizou-se na AESE, a 26 de fevereiro de 2018.
 
O Prof. Carlos Folle concentrou a sua intervenção na comunicação com (e na) família, tendo em conta a informação e o diálogo com os familiares em geral, os familiares acionistas e os familiares executivos.

Quais são atualmente os principais desafios na Comunicação nas Empresas Familiares?
CF: “Para começar, temos de ter em conta que a comunicação na empresa familiar é um tema muito central, muito importante, como é a comunicação em qualquer âmbito da vida. O importante é que cada um tenha direito àquilo que lhe cabe saber na altura oportuna.”
Nas empresas familiares, a comunicação interna é um desafio muito importante. Quando se encontram numa fase em que são dirigidas pelo fundador, é evidente que a autoridade é concentrada nele, tal como o poder e o direito a informar ou não os restantes sucessores. Embora tenha esse direito pelo facto da empresa ser sua, se não iniciar um processo de envolvimento e de comunicação com os seus potenciais sucessores no devido tempo e na devida maneira, isso poderá trazer problemas, a longo prazo, no processo sucessório.”

Como melhorar a Comunicação “com e na Família”, entre os familiares em geral, os familiares acionistas e os familiares executivos?
CF: “Normalmente, a comunicação pode ser melhorada em vários âmbitos. Tem de se estar consciente da qualidade e da quantidade da informação. E cada família é diferente.
Há famílias nas quais existe excesso de comunicação e há famílias empresariais onde existecarência de informação.
Nas empresas onde há excesso de comunicação - e quando isso faz parte da cultura-, não há inconvenientes. Sucede que se fala dos temas da empresa ao almoço da família, durante a semana, etc., etc.
Aí o que é que acontece? Há membros da família, nomeadamente nas novas gerações, que querem separar aquilo que é do âmbito da empresa, daquilo que faz parte do âmbito familiar.
Esta é uma recomendação extremamente saudável.”

Quais as sugestões que deseja deixar aos líderes e executivos, Alumni da AESE, que participam em Empresas Familiares?
CF: “Considero que nas empresas familiares existe uma responsabilidade fundamental em comunicar a tempo, para que os processos de sucessão que são os mais delicados nas empresas familiares, que asseguram a longevidade das empresas familiares,- aconteçam  oportunamente.
Não nos devemos esquecer que nas empresas familiares há dois objetivos centrais: o principal é a felicidade da família e isso deve ser sublinhado. Se a empresa é motivo para a infelicidade da família, então algo está a fracassar na empresa. Isso, porque se há uma família infeliz, por mau relacionamento e má comunicação, isso vai ter repercussão na empresa. Portanto, passará a existir uma empresa enfraquecida. Se existir uma família enfraquecida e uma empresa enfraquecida, é um mau negócio! Mas se a unidade e a comunicação como elemento importante dessa unidade estiverem florescendo, dificilmente haverá problemas no imediato. Devemos fomentar essa comunicação. E também o tom dessa comunicação.
Há famílias onde as pessoas têm uma grande resistência ao que lhes é dito. Pelo contrário, noutras empresas, se lhes for dita uma palavra fora do tom adequado, ou algo pouco aceitável, isso gera uma ofensa que afeta seriamente a felicidade familiar.
Tem de se entender em que contexto familiar se está a trabalhar. E penso que para todos os antigos alunos ou participantes de programas na AESE será muito importante entenderem estas questões, seja por se tratarem de membros da família, ou por trabalharem em empresas familiares.”


O que pensa da AESE Business School promover encontros sobre Empresas Familiares?
CF: “Acho ser importantíssimo que a AESE fomente a realização de encontros de empresários familiares, porque o tecido empresarial, maioritariamente, é composto por empresas familiares. E isto acontece não só em Portugal, como na maior parte dos países do mundo. As empresas familiares representam cerca de 80 % das empresas na maioria dos países. Dão trabalho a mais de metade da população economicamente ativa de cada país e contribuem para cerca de 50 % do PIB (Produto Interno Bruto) dos países. São, por isso, um ator extremamente relevante.
Esse encontro da AESE, na sua missão de formar pessoas, executivos responsáveis, necessita de se envolver ativamente, procurando que os empresários familiares e todo o ecossistema que se desenvolve em torno deles, seja os empregados, os fornecedores, os clientes, estejam conscientes destas peculiaridades que afetam naturalmente as empresas familiares e que conhecendo-as, possam identificar os potenciais problemas a tempo, conseguindo portanto, evitá-los.”


A conferência de Peter Villax, Presidente da AEF sublinhou a relevância da comunicação externa, fazendo por ultrapassar a barreira e as dificuldades sentidas  na relação os media, e as oportunidades de diálogo que daí podem advir na criação de valor.