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Investimento diversificado e a pensar a longo prazo

Sessão de continuidade com o Prof. José Luis Suarez

“Poupanças e investimento em bolsa” é um tema que deve ser abordado à luz de “uma nova teoria financeira”, que propõe distinguir o que é investimento daquilo que é especulação.”

Desenvolvida nos anos 60, 70, do século XX, o Prof. José Luis Suarez, do IESE, explicou as mais-valias desta perspetiva sistemática de análise do mercado.

Qual a novidade que a Moderna Teoria Financeira traz à gestão?
JLS: “Efetivamente, nos dias de hoje, as pessoas tendem a especular. Muitas vezes compram ou investem num ativo porque alguém lhes disse que aquilo pode ser um bom negócio, ou porque acreditam que existe um sentimento generalizado, ou até devido a acontecimentos exógenos, como a subida de taxas de juro, um acontecimento político, um ativo que se está a comprar. Ou seja, esse ativo é comprado sem que haja uma opinião formada sobre o que se está a comprar. Isto é especulação.
Como é pouco fundamentado, traduz-se numa visão de muito curto prazo, e que é facilmente suscetível de mudança. As pessoas vão entrando e saindo de investimentos, muitas vezes sem um critério de longo prazo.”

Como se distingue o investimento da especulação?

JLS: “Quando se aposta em algo que realmente se conhece e se pode ter uma ideia do seu valor, trata-se de investimento. Compra-se algo que pensamos vir a valer mais no futuro e espera-se que chegue esse momento. E normalmente pensa-se numa lógica de longo prazo, porque os mercados não mudam por razões fundamentais assim tão rapidamente. Portanto, o investimento costuma ser mais de longo prazo e a especulação de curto prazo.”

Na hora de investir, quais os principais fatores a ter em consideração?
JLS: “A primeira mensagem é procurar investir em vez de especular. Há também outra mensagem a apresentar na sessão da AESE, que tem a ver com a possibilidade que têm os especialistas de identificar os ativos, isto falando de ações. A escolha de ativos, de ações, que vão ter um bom comportamento no futuro, é muito difícil.
Outra mensagem tem a ver com o investimento na Bolsa no seu conjunto, investindo no índice.
Por exemplo, em Portugal, seria no PSI-20. É vantajoso em relação a tentar fazer melhor do que o mercado escolhendo os títulos.”

Que recomendações gostaria de deixar aos empresários e dirigentes, Alumni da AESE, sobre a decisão de investimento?
JLS: “Gostaria de transmitir aos Alumni que investir num índice, é como investir na Bolsa no seu conjunto e dá normalmente melhores resultados do que escolher os títulos. Isto chama-se investimento passivo.
Investimento ativo é quando se escolhe a ação onde investir. A combinação entre investir no índice e apostar no longo prazo é uma opção.  
Outro elemento que vamos examinar é a importância das comissões que se pagam pela assessoria bolsista. As comissões, mesmo com percentagens baixas, têm um grande impacto no total que podemos obter devido a um investimento.

Isto conduz-nos a uma tripla recomendação para os nossos Alumni. Primeiro, diversificar. Segundo, investir no longo prazo, o que é mais fácil para fazer previsões dos resultados. E terceiro, controlar gastos e estar muito consciente dos gastos que se vão ter no investimento.

A ideia é de que, com estas três regras, poder-se-á ocupar muito menos tempo com o investimento. Aliás, tendo melhores rentabilidades, podemos dedicar mais tempo a outras coisas que não apenas analisar investimentos.”

À conferência colóquio, da sessão de continuidade realizada a 7 de março, na AESE, em Lisboa, seguiu-se um debate e convívio entre o Professor e os Alumni presentes. Foi uma oportunidade para discutir as melhores opções de investimento para os seus negócios.