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Investir como Business Angel

Prof. César Bardají esteve na AESE

O professor e investidor César Bardají (CB) foi o convidado do Agrupamento de Alumni, na sessão de continuidade sobre Business Angels.

Numa breve conversa, partilhou a sua experiência sobre a matéria e os fatores chave a ter em conta quando se recorre a uma parceria de investimento desta natureza.

Como é que se define atualmente um Business Angel?
CB: “Um Business Angel é um profissional que investe recursos numa startup.
Quando falamos de investir recursos, quase toda a gente pensa que é investir dinheiro. Mas, na realidade, um Business Angel para o ser, certamente tem de se envolver na empresa, não no dia a dia dela, mas sim em partilhar os seus conhecimentos profissionais, a sua experiência, os seus contactos com os empreendedores, de modo a fazer avançar a empresa, para que esta tenha maiores possibilidades de obter sucesso.

Quando falo de recursos que um Business Angel utiliza, não me refiro somente ao dinheiro que pode propiciar, mas também ao tempo que pode oferecer a esse projeto. Ao falarmos de uma startup, ela é qualquer companhia, qualquer empresa, que esteja a começar, a arrancar. Mas no contexto digital, da Internet, na realidade quando falamos de startups, falamos de empresas cujo core business é maioritariamente digital e de Internet. A parte offline, a parte fora da Internet, representa uma parte minoritária da sua atividade.

Às startups, refiro-me a elas como sendo de Fórmula 1. São-no, porque podem (e devem) ascender muito rapidamente no plano internacional ou global. Podem fazê-lo, por utilizarem tecnologia digital e de Internet. Se não tivessem essa utilização, seria muito mais difícil para elas chegarem ao mesmo nível rapidamente.”

Quais são os critérios a ter em conta, para satisfazer as expectativas e rentabilizar o tempo e o investimento no plano de negócios?
CB: “Há muitos critérios. É complexo. Mas para se ser eficiente, tem de se falar com muita clareza, os empreendedores com os possíveis investidores e os Business Angels com os empreendedores. Para um total alinhamento de interesses e também de visão a longo prazo, faz sentido que atuem os dois em conjunto, que os Business Angels apoiem essa iniciativa. Caso contrário, é melhor não o fazer.
Se falamos de critérios, há que ver qual é o modelo de negócio, a visão, a forma de utilizar os recursos, a apreciação que se faça do esforço proporcionado pelos Business Angels, tem de ser algo de comum, feito da mesma maneira. Mas se um dos aspetos não for ótimo, é melhor abandoná-lo, porque existe tanta volatilidade, tanto risco, que depois as coisas vão correr mal.
Existem tantas, tantas, tantas startups, felizmente, pois o mercado é vastíssimo. É como quando se vai escolher um andar. Não se vai optar pelo primeiro que aparece. Há uns 30, 40, 50 possíveis, antes de se avançar para um.
Aqui é a mesma coisa. Não se deve optar pelo primeiro que aparece. Há muitas hipóteses, mas quando tudo estiver conforme e com a concordância de todos é que se avança. Esse é o critério fundamental para avançar com os recursos. E o risco é muito elevado.”

Quais são os fatores chave na relação entre investidor e empreendedor numa associação com sucesso?
CB: “O que tem de existir é um grande respeito mútuo e capacidade de diálogo. Há que partir de tópicos. O empreendedor é uma pessoa jovem, jovem de espírito, com um foco brutal no seu modelo de negócio, muito envolvido e que acredita profundamente no sucesso.
O empreendedor deve reconhecer a contribuição de dinheiro e de tempo a proporcionar pelo Business Angel. Caso contrário, é impossível.

Que conselho pode deixar aos empreendedores que pensam recorrer a um Business Angel?
CB: “Se algum desses Alumni se quer dedicar a ser um Business Angel, que o faça, que se atreva, mas tenha simultaneamente em conta que se trata de uma atividade de enorme risco, muito volátil, que deve dedicar uma pequena parte das suas poupanças a essa atividade e que deve esperar que, na maioria dos casos, não vai conseguir nada e mesmo que consiga alguma coisa, são investimentos ilíquidos, que demoram muitos anos a recuperar, tendo de ter isso em conta.
Por outro lado, é uma atividade muito enriquecedora, pois permite entrar em contacto com pessoas tão envolvidas, tão brilhantes, que estão a conduzir a revolução digital e de Internet. É como estar na trincheira desta revolução. É fantástico, mas deve ir-se com cautela e com cuidado, para não entregar mais recursos, dinheiro e tempo do que os necessários, e diluir esse risco entre vários investimentos.”

A sessão de continuidade foi seguida de um colóquio entre os Alumni e o convidado.