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Os desafios que se colocam às Empresas Familiares

As lições aprendidas com Nuria Vilanova (Atrevia) e José Luís Simões (Grupo Luís Simões)

A AESE recebeu os Alumni da AESE num pequeno almoço temático sobre Empresas Familiares. Os convidados foram Nuria Vilanova, Presidente da Atrevia, e José Luís Simões, Presidente do Grupo Luís Simões (15.º PADE).


Nuria Vilanova apresentou o livro recém-publicado que versa sobre "La esencia de la empresa familiar. Valores y comunicación". Na sua abordagem, a autora visitou os vários desafios que as Empresas Familiares enfrentam atualmente e de que forma a comunicação assume um papel primordial na superação das dificuldades vividas pelos membros da empresa e da família que partilham as responsabilidades pessoais e corporativas.

Os valores que fazem a diferença nas empresas familiares
Nuria Vilanova refere que "é muito importante trabalhar no orgulho de pertença. Isso também se encontra relacionado com o transcender, não só que essa empresa seja uma empresa boa, mas também que o mundo seja melhor, que os empregados sejam ajudados no seu futuro, que a família esteja unida, pois estamos num mundo muito difícil, com muita concorrência, e estamos a criar, estamos a fazer o possível. Esse orgulho é muito importante.

Também é importante o reconhecimento social. As pessoas no meio social sabem que eu pertenço a essa empresa familiar e isso significa que eu partilho determinados valores, projetos, etc. Temos de ser muito cuidadosos, porque esse orgulho de pertença e esse reconhecimento social podem-se deteriorar. Por pequenas feridas, por não cuidarmos de certos pormenores, por trabalharmos tanto na empresa, que nos esquecemos de partilhar o que fazemos e porque o fazemos. E fazer sentir aos membros da família que eles são os mais importantes."


O papel da comunicação em face das ameaças

Nuria Vilanova alertou para "o grande perigo" de "nos ocuparmos do urgente e nos esquecermos do importante. Em política, a frase "tudo para o povo, mas sem o povo" é sobejamente conhecida. E, às vezes, com toda a boa vontade, faz-se tudo pela família, mas esquecemo-nos que a família quer participar e quer ser parte do sonho, do projeto e que é mais importante o caminho que a meta. E a caminhar, há que fazê-lo com a família."

José Luís Simões defende que "é necessário criar valor, sem o qual não existe sustentabilidade futura. E, depois, é preciso ter princípios saudáveis. Trabalhar, em questões que só são possíveis resolver com muita persistência. Esses são os fatores nucleares. No meio disto, se não houver comunicação, ou se a comunicação for deficiente, ou for distorcida, nada disto terá influência. É preciso cuidar da comunicação de forma cuidada."


"Há que sentir os valores numa Empresa Familiar"

Tendo em consideração a larga experiência de José Luís Simões na liderança do seu Grupo familar, o Alumnus da AESE mencionou ainda a importância do diálogo intergeracional e do contributo que cada membro deve aportar à empresa.

Para José Luís Simões, "temos a juventude mais bem preparada de toda a história da humanidade. E isso de certeza que vai fazer a diferença. Eles vão pegar nos meios de comunicação, no digital, em toda a transcendência que isto tem nas relações que há e também nos problemas e certamente que vão encontrar soluções para o futuro. Creio na complementaridade. Uma coisa é que nós dois podemos fazer um trabalho juntos que um só não conseguiria fazer."

Na sessão também participaram elementos da segunda geração da família: Fernanda Simões, 8.º Executive MBA AESE e Administradora Delegada do grupo Luís Simões, e Daniela Simões, 3.º Executive MBA AESE e Administradora Delegada LS Business Development.

Para José Luís Simões, a questão fulcral das empresas familiares passa por "sentir os valores, ainda que não se vejam", no dia a dia da organização. Para quem chega de novo à empresa é fácil encontrá-los escritos. Para os que lá se encontram, "os valores são vividos": "as reuniões de gestão e de formação começam recordando sempre os valores da empresa. Os valores são manifestamente importantes. É preciso empreender sim, porque as empresas precisam de ser rentáveis: não há futuro se assim não for. Mas sem valores não existem empresas.".   

 


Legenda da fotografia

Da esquerda para a direita: Fernanda Simões (Grupo Luís Simões), Daniela Simões (Grupo Luís Simões), Ana Margarida Ximenes (Atrevia Portugal e 36.º PDE), Maria de Fátima Carioca (AESE), José Luís Simões (Grupo Luís Simões), Núria Vilanova (Atrevia Espanha).