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Os deveres do Conselho de Administração

As lições capitais aprendidas

António Argandoña, Professor dos departamentos de Economia e Ética, publicou recentemente no seu blog as ideias principais que resultaram de um encontro promovido em parceria com a AESE.

"Ontem, dei uma sessão em Lisboa, aos membros do Conselho de Administração de uma empresa portuguesa, a convite da AESE, uma escola daquele país com a qual o IESE tem excelentes relações. Entre outras coisas, contei-lhes algo que quero partilhar convosco: o que esperamos dos membros do Conselho? Não as suas funções, mas as suas atitudes e comportamentos. Eis algumas ideias marcantes nessa reunião:

  • Lealdade, compromisso. Parece-me ser a palavra essencial numa tarefa desse cariz: não estar lá para ganhar pessoalmente, mas para dar à empresa.
  • Independência: não estar lá para promover os interesses de um grupo de acionistas, por muito maioritários que sejam. Ou os de outras empresas, ou grupo político, etc.
  • Profissionalismo, também chamado competência, dedicação, diligência, serviço. Não é um prémio de uma trajetória, mas uma tarefa que se deve satisfazer.
  • Transparência, integridade na informação. Acabou o tempo de fazer do Conselho um lugar opaco, porque temos de estar lá para servir todos os acionistas, e os empregados, clientes, fornecedores… e a sociedade.
  • Disponibilidade para prestar contas, aquilo que os anglo-saxónicos designam por accountability, e que é uma consequência da transparência. Ou, por outras palavras, assumir a total responsabilidade pelo nosso trabalho.
  • Compromisso com a continuidade da empresa, que é a primeira obrigação do Conselho, e que inclui uma visão de longo prazo. E, por vezes, de muito longo prazo.
  • Criar um clima de confiança, sem o qual a empresa não pode prosperar, e sem o qual a sociedade se perverte.
  • Colegialidade: no Conselho há pessoas de diversas formações e capacidades, e tem de se tirar partido de todas elas.
  • Unidade, que significa que os interesses da empresa passam à frente de tudo o resto.
  • Credibilidade: os anglo-saxónicos falam de walk the talk. 
  • Integridade: o Conselho deve ser um exemplo moral, porque tem que dar aquilo que se chama o tom ético a partir de cima.
  • Cumprir a lei, os regulamentos e as normas internas.
  • Conhecer bem o setor, a empresa e as pessoas, nomeadamente, os diretores. Isto implica dedicar-lhes tempo e perdê-lo com eles.
  • Procurar a informação necessária. Se não a temos, o que fazer? Dizer “sim” a tudo o que propuser o Presidente ou o Administrador-Delegado?
  • Estar presente nas reuniões, prepará-las, participar nelas, deixar a nossa marca. O teste do algodão de uma boa reunião de Conselho é: quantas pessoas tomaram a palavra nela?
  • Adquirir formação e continuar sempre a adquiri-la pela vida fora.
  • Não se trata de cumprir, mas de fazer as coisas bem. Não estar motivado para simplesmente ter de cumprir um dever.

Há outras ideias, mas abordá-las-emos noutro dia."