As Férias

 

Os tempos actuais são mais propícios do que os passados à divisão interior do homem em diferentes mundos ou em segundas e terceiras «vidas»: é mais fácil do que nunca a criação de diversas personalidades através da Internet, nos ambientes turísticos e inclusive em «bolhas» profissionais pretensamente «familiares». O maior perigo está em que nos habituemos a essa divisão, como se fosse normal e saudável: por um lado, com a impressão de maior «intensidade» de vida ou de «autorrealização»; por outro, como descanso recíproco – dos afazeres domésticos, da fadiga laboral, ou de ambos os «cansaços», na obsessão comunicativa do computador ou incomunicável da televisão.
A banal «filosofia» desta atitude reside no conceito de descanso como «distração», cujo resultado não é mais do que um círculo vicioso de cansaços intermináveis, quando deveria ser um tempo de re-união ou reordenação interior que reintegrasse numa só vida todos os aspectos da nossa existência.
É natural que nos sintamos «divididos» por tantas facetas e tarefas da nossa existência; mas não é «natural» que nos conformemos com isso, como se fosse nosso destino a dispersão interior e a multiplicidade de objetivos. Os períodos de descanso – diário, semanal, anual – devem ser justamente a ocasião de revermos o principal objetivo que nos move e como se estão subordinando a ele os restantes. Ou para reconhecer… que não sabemos realmente o que pretendemos da vida. E tentar descobri-lo ou criá-lo.
Fazer o que todos fazem não é critério razoável, tanto mais que nem toda a gente se repete. Aliás, poderia acontecer o que diz o Evangelho: «Se um cego guia outro cego, ambos caem na fossa».
Pe. Hugo de Azevedo

Os tempos actuais são mais propícios do que os passados à divisão interior do homem em diferentes mundos ou em segundas e terceiras «vidas»: é mais fácil do que nunca a criação de diversas personalidades através da Internet, nos ambientes turísticos e inclusive em «bolhas» profissionais pretensamente «familiares». O maior perigo está em que nos habituemos a essa divisão, como se fosse normal e saudável: por um lado, com a impressão de maior «intensidade» de vida ou de «autorrealização»; por outro, como descanso recíproco – dos afazeres domésticos, da fadiga laboral, ou de ambos os «cansaços», na obsessão comunicativa do computador ou incomunicável da televisão.

A banal «filosofia» desta atitude reside no conceito de descanso como «distração», cujo resultado não é mais do que um círculo vicioso de cansaços intermináveis, quando deveria ser um tempo de re-união ou reordenação interior que reintegrasse numa só vida todos os aspectos da nossa existência.

É natural que nos sintamos «divididos» por tantas facetas e tarefas da nossa existência; mas não é «natural» que nos conformemos com isso, como se fosse nosso destino a dispersão interior e a multiplicidade de objetivos. Os períodos de descanso – diário, semanal, anual – devem ser justamente a ocasião de revermos o principal objetivo que nos move e como se estão subordinando a ele os restantes. Ou para reconhecer… que não sabemos realmente o que pretendemos da vida. E tentar descobri-lo ou criá-lo.

Fazer o que todos fazem não é critério razoável, tanto mais que nem toda a gente se repete. Aliás, poderia acontecer o que diz o Evangelho: «Se um cego guia outro cego, ambos caem na fossa».


Pe. Hugo de Azevedo