As prendas de Natal

Desta vez serão decerto mais modestas. O que vem ao encontro dos desejos manifestados quase rotineiramente neste período contra a comercialização do Natal e o consumismo. Infelizmente, agora menos por virtude do que por necessidade… Distingamos, porém: a dita «comercialização» será sempre inevitável em qualquer festa popular, e até bem-vinda, se não retirar à efeméride o seu sentido próprio. Queixemo-nos antes do comércio de bric-a-brac, mais interessado em vender máquinas aos pais, do que prendas aos filhos.

Porque o Natal, além de ser a grande festa do nascimento do Filho de Deus - e por isso mesmo -, é a grande festa dos filhos. O que celebramos é Jesus-Menino, Aquele mesmo que nos recomendou ser sempre crianças diante de Deus, nosso Pai. A dos pais é lá para 19 de março, S. José. E a das mães, em maio, mês de Maria.

Sejamos, pois, mais sóbrios com os adultos e mais generosos com os pequenos. Aí está um bom critério de «contenção».

Não se confunda, todavia, generosidade com «despesismo»; trata-se sobretudo de pensar bem no que gostam e no que é bom para eles. Só «pensar» nisso já é uma prenda, porque o presente que mais apreciam, sem dúvida, é o amor dos pais. E a sua maior festa, o sorriso deles. Esse sorriso (às vezes difícil, heroico mesmo) é o verdadeiro Natal, ou seja, a revelação e a melhor imagem do amor de Deus por cada um de nós.

Assim foi eminentemente em Belém, há dois mil anos, quando o Pai se revelou no Filho para nos salvar e mostrar quanto nos ama.



Pe. Hugo de Azevedo