Como eliminar um valor

Se por valor se entende um prin-cípio ou critério assente, padrão co-mum de juízo moral e de compor-tamento, é facílimo destruí-lo: basta questioná-lo. Uma vez posto em discussão, torna-se discutível. Feito discutível, deixa de valer como prin-cípio, critério ou padrão. Já está.
Assim tem acontecido com toda a espécie de valores, exceto o princípio supremo da inexistência de quaisquer valores certos, obje-tivos e universais. A técnica é sempre a mesma: o debate sobre os chamados temas «fraturantes». Ainda que uma das partes «ven-ça», perde-se o valor, porque o va-lor em questão, de princípio, pas-sou a mera opinião, e como tal foi aceite por ambas as partes. E daí, a dita «opinião» fez-se respeitável e legítima. Acabou-se. Só falta legalizar a sua intranscendência. O que se procura levar a cabo quanto antes.
O tsunami moral que varre o Ocidente assim se fez e continua. Tem razão o Santo Padre quando anima a juventude a ir contra-corrente. Não se trata de condenar ninguém, nem sequer de argumen-tar vigorosamente contra quem defende contra-valores, embora seja obra de misericórdia escla-recer consciências erróneas, quan-do o desejam; trata-se pura e simplesmente de não discutir ver-dades primárias da razão, da experiência ancestral e da fé, mas de segui-las com serenidade e naturalidade cristãs, a exemplo dos primeiros cristãos.
«Assim como me perseguiram a Mim, vos perseguirão a vós», já nos avisou Cristo; mas «assim como me ouviram a Mim, também vos ouvirão a vós». Não será inútil a nossa fidelidade. Também o tem dito o Santo Padre: a Igreja sempre cresceu no meio e por meio da
perseguição. E, ainda outra certeza nos ajuda: a de que muitos desco-brirão uma felicidade que desco-nhecem – a paz da consciência e o sentido maravilhoso da vida terre-na. Recordo a resposta que deu certa vez S. Josemaria a um rapaz que não sabia como responder a um amigo, quando este lhe confessou que não estava disposto a «complicar a vida» com as exigências da fé: - «Pois diz-lhe que, se não “complica a vida”, a vida o “complicará” a ele!» 
  
Pe. Hugo de Azevedo
Se por valor se entende um princípio ou critério assente, padrão comum de juízo moral e de comportamento, é facílimo destruí-lo: basta questioná-lo. Uma vez posto em discussão, torna-se discutível. Feito discutível, deixa de valer como princípio, critério ou padrão. Já está.

Assim tem acontecido com toda a espécie de valores, exceto o princípio supremo da inexistência de quaisquer valores certos, objetivos e universais. A técnica é sempre a mesma: o debate sobre os chamados temas «fraturantes». Ainda que uma das partes «vença», perde-se o valor, porque o valor em questão, de princípio, passou a mera opinião, e como tal foi aceite por ambas as partes. E daí, a dita «opinião» tornou-se respeitável e legítima. Acabou-se. Só falta legalizar a sua intranscendência. O que se procura levar a cabo quanto antes.

O tsunami moral que varre o Ocidente assim se fez e continua. Tem razão o Santo Padre quando anima a juventude a ir contra-corrente. Não se trata de condenar ninguém, nem sequer de argumentar vigorosamente contra quem defende contra-valores, embora seja obra de misericórdia esclarecer consciências erróneas, quando o desejam; trata-se pura e simplesmente de não discutir verdades primárias da razão, da experiência ancestral e da fé, mas de segui-las com serenidade e naturalidade cristãs, a exemplo dos primeiros cristãos.

«Assim como me perseguiram a Mim, vos perseguirão a vós», já nos avisou Cristo; mas «assim como me ouviram a Mim, também vos ouvirão a vós». Não será inútil a nossa fidelidade. Também o tem dito o Santo Padre: a Igreja sempre cresceu no meio e por meio da perseguição. E, ainda outra certeza nos ajuda: a de que muitos descobrirão uma felicidade que desconhecem – a paz da consciência e o sentido maravilhoso da vida terrena. Recordo a resposta que deu certa vez S. Josemaria a um rapaz que não sabia como responder a um amigo, quando este lhe confessou que não estava disposto a «complicar a vida» com as exigências da fé: - «Pois diz-lhe que, se não “complica a vida”, a vida o “complicará” a ele!»