Imediatamente

Há um advérbio de modo recorrente no Novo Testamento: imediatamente.

Quando Jesus chamou «Pedro e André, seu irmão, que lançavam a rede ao mar», «eles, imediatamente, deixaram as redes e O seguiram» (Mt 4, 18.19). Também Tiago e João, filhos de Zebedeu, «imediatamente, deixando a barca e o pai, O seguiram» (Mt 4, 22). Saulo de Tarso, recém-convertido, experimentou a mesma urgência apostólica: depois de baptizado em Damasco, «imediatamente começou a pregar nas sinagogas que Jesus era o Filho de Deus» (Act 9, 20).

Esta rapidez não é só dos primeiros tempos do Cristianismo. Também agora há quem responda com análoga prontidão ao chamamento para a santidade e para o apostolado, que Deus a todos, sem excepção, dirige. Foi o caso do venerável D. Álvaro del Portillo, bispo e primeiro prelado do Opus Dei, que será beatificado no próximo dia 27 de Setembro, em Madrid. Quando, a 7-7-1935, lhe foi sugerido que entregasse a sua vida a Deus e à Igreja, no Opus Dei, Álvaro del Portillo respondeu imediatamente, não apenas com palavras, mas com as obras de uma fidelidade heróica à sua vocação cristã no Opus Dei. Mesmo quando lhe passou o entusiasmo inicial, perseverou, por amor, até ao fim.

Foi há já algum tempo que, num clube juvenil, vi afixado um sugestivo lema: «os molengões não servem!». De facto, Cristo tem pressa: «Eu vim trazer fogo à terra e como desejaria que ele já estivesse ateado!» (Lc 12, 49).Como escreveu São Paulo, a caridade de Cristo nos impele!

Maria, logo que concebeu no seu seio virginal e imaculado, o Filho de Deus, sentiu essa bendita urgência. Por isso, «dirigiu-se à pressa para a montanha, a uma cidade da Judeia» (Lc 1, 39). Essa sua rapidez não é sinónimo de impaciência, nem de ansioso ner vosismo, mas de amor. Não é por acaso que a raiz etimológica de diligência é o verbo latino diligere, que quer dizer amar.

Quem muito sossega, pouco ama. E quem corre por amor, não se cansa.


Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada