Mãos à obra

No dia 2 de Outubro de 2018, o Opus Dei fez noventa anos. Com efeito, foi nesse mesmo dia de 1928 que São Josemaria Escrivá de Balaguer, estando a fazer um retiro em Madrid, viu, pela primeira vez esta Obra de Deus. Com este motivo, celebrou-se uma missa de acção de graças em Lisboa, na igreja de Nossa Senhora de Fátima, presidida pelo Senhor Cardeal Patriarca, D. Manuel Clemente, concelebrando o Núncio Apostólico, o vigário regional do Opus Dei em Portugal e muitos outros sacerdotes.

Sempre que se referia àquele acontecimento fundacional, São Josemaria recorria ao verbo ‘ver’. Fazia-o, não porque tivesse visto materialmente essa realidade, então inexistente, mas porque intelectualmente pôde então contemplar o que seria este apostolado eclesial, que veio abrir, como costumava dizer, os caminhos divinos da terra. Antecipando-se ao Concílio Vaticano II, o Opus Dei recordou o chamamento universal à santidade e ao apostolado na Igreja, inaugurando uma nova espiritualidade, que se poderia apelidar de secular, ou laical. De facto, as coisas do mundo, como a família e o trabalho, a política e a economia, a empresa e o sindicato, a escola e a oficina, a cultura e o desporto, entre muitas outras, não devem ser consideradas como obstáculos à perfeição da caridade, nem sequer como realidades profanas, mas matérias santificáveis por aqueles cristãos que o Senhor chama para que se santifiquem no mundo e através do próprio mundo.


Quando, pouco anos depois da fundação, começou uma impiedosa perseguição religiosa em Espanha, São Josemaria temeu pela Obra que o Senhor lhe tinha feito ver. Apesar de fundador, considerava-se sem fundamento, porque sabia que tinha sido apenas o instrumento escolhido por Deus para aquele efeito, cuja autoria era única e exclusivamente divina. Por isso, àqueles primeiros fiéis que a ele se tinham unido nesse novo apostolado, pediu, um a um, que, se ele faltasse, se comprometessem a continuar a Obra. E todos, cientes de que era divina a empresa a que tinham sido chamados, responderam afirmativamente.


Também agora, quando esta Obra de Deus já está implantada nos cinco continentes, o pedido do fundador faz sentido. Não apenas para aqueles que formalmente são fiéis da prelatura, mas também para todos os que receberam a graça de participar nos seus apostolados e que São Josemaria considerava também como membros desta família sobrenatural. Mãos à Obra!


P. Gonçalo Portocarrero de Almada