Mês do Rosário

O Rosário assim se chama por uma razão de amor. Um filho não se cansa de beijar a sua mãe e um cristão não se cansa de agradecer a Nossa Senhora ter aceitado trazer ao mundo o próprio Deus humanado. É como se se lhe oferecesse uma rosa por cada Ave Maria. O Rosário é a contemplação incessante desse momento extraordinário em que «o Verbo se fez carne», se fez Homem sem perder a divindade, e unindo-se a nós, comunicou-nos a sua própria Vida e a sua felicidade eterna.

Esta devoção antiquíssima foi-se «enriquecendo» através dos séculos com a consideração dos episódios mais expressivos da Redenção, desde a Anunciação à glorificação de Maria Santíssima, e tornou-se assim numa devoção tão simples, que até uma criança a pode rezar e um teólogo meditar sem fim.

Cada um rezará o Rosário à sua maneira, conforme a sua sensibilidade. A ladainha de Loreto, a mais usada depois do Terço, evoca tantas facetas da grandeza de Maria, que cada um aí encontrará expressão do seu particular amor à Mãe de Deus. Talvez as que mais agradem a um empresário sejam aquelas em que se invoca a sua realeza, que é um modo clássico de falar de liderança.

Basta pensar no primeiro «mistério», o da Anunciação, para admirarmos a principal qualidade do chefe: a capacidade de resolver depressa e bem problemas imprevistos, pois os previsíveis se resolvem na rotina burocrática. Que problema mais imprevisto do que a proposta que lhe faz o Anjo de ser Mãe de Deus? Perturbada na sua humildade pela extraordinária saudação angélica, vemo-la imediatamente serena quando compreende a proposta. Logo vem a pergunta prática: - «Como será isso?» O Anjo esclarece-a. E Ela não hesita um segundo - «Faça-se!»

Esta «brevidade imperial» é o cunho evidente de uma inteligência lúcida, de uma vontade firme, de um caráter indómito. Venham as dificuldades que vierem, Deus o quer; faça-se a Sua Vontade. Venha o que vier, assume a responsabilidade da sua decisão. O que lhe acontecerá a Ela, é indiferente. Não vive para si. Ela vive para servir a Deus e a humanidade.



Pe. Hugo de Azevedo