Sinal de contradição

No dia 1 de Junho de 1985, o Papa João Paulo II fez uma provocante pergunta a Santa Teresa de Calcutá:
- Madre Teresa, explique-me por que razão a imprensa fala sempre tão bem de si, mas não do Opus Dei, nem de mim?!

A referência ao Opus Dei fazia sentido porque, por uma feliz coincidência, estava também presente D. Álvaro del Portillo, sucessor de São Josemaria Escrivá de Balaguer e primeiro prelado do Opus Dei. Por sinal, aproveitando aquele encontro, a santa fundadora das missionárias da caridade agradeceu a D. Álvaro, que foi beatificado no dia 27 de Setembro de 2014, o atendimento pastoral que sacerdotes da prelatura tinham prestado às missionárias da caridade, com grande proveito espiritual das ditas religiosas, segundo a respetiva fundadora.

A pergunta, disparada à queima-roupa, por São João Paulo II, era embaraçosa. Certamente, a sua santa interlocutora ficou incomodada quando confrontada com o seu êxito mediático, tanto mais desconfortável quanto o próprio Papa, segundo São João Paulo II, não gozava de igual favor por parte da imprensa que, pelo contrário, tanto a exaltava. Por isso, em vez de rejubilar com aquele aparente sucesso da sua pessoa e instituição, a madre Teresa manifestou alguma inquietação:Rezem por mim – pediu – para que seja humilde!

O seu pedido de orações fazia sentido porque aquele seu êxito poderia ser, na realidade, uma tentação de soberba, tanto individual como colectiva. Além do mais, a eficácia das instituições eclesiais não se mede pela sua glória humana, nem pelo seu prestígio social, mas pelo paradoxal critério da cruz.

O pedido da madre Teresa não foi, com certeza, desatendido, porque a fundadora das missionárias da Caridade morreu humilde e santamente, apesar dos muitos louvores e algumas críticas, que também não lhe faltaram. Quanto à sua obra, não há que preocupar-se: a julgar por algumas calúnias agora veiculadas pela imprensa, também já recebeu a graça de ser sinal de contradição.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada