Sob o manto da Nossa Senhora de Guadalupe

Em 1970, durante uma viagem pastoral ao México, São Josemaria Escrivá de Balaguer, fundador do Opus Dei, ao contemplar um quadro da aparição de Maria ao índio São Juan Diego, comentou: “Assim quereria eu morrer: olhando para Nossa Senhora e que ela me desse uma flor”. Depois de um breve momento de silenciosa oração, concluiu: “Sim, gostaria de morrer diante deste quadro, com Nossa Senhora a dar-me uma rosa”.

O seu desejo foi atendido, cinco anos mais tarde. No dia 26 de Junho de 1975, depois de ter estado com um numeroso grupo de fiéis do Opus Dei, em Castelgandolfo, regressou a Roma e, quando entrava no seu quarto de trabalho, por volta do meio-dia, hora a que sempre rezava o Angelus, olhou para a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe e caiu, inanimado, expirando pouco depois.

Ao cruzar a porta, que era também a ténue fronteira que o separava da eternidade, ainda teve tempo de chamar o seu secretário, o então padre Javier Echevarria, que tinha ficado um pouco para trás, a fechar a porta do elevador que ambos tinham acabado de utilizar.
Quarenta e um anos depois, D. Javier Echevarria ouviu de novo o chamamento de São Josemaria, que o veio buscar, no dia de Nossa Senhora da Guadalupe, para o levar consigo para o Céu. Foi no passado dia 12 de Dezembro, pelas 21h e 20m.

Os primeiros cristãos chamavam dia de natal à data da morte, porque é o momento do nascimento para a vida eterna. Muito embora, humanamente, esta hora seja de tristeza e saudade, espiritualmente é de grande felicidade, na filial esperança de que D. Javier Echevarria já se tenha reencontrado com são Josemaria e o Beato Álvaro del Portillo, junto da Sagrada Família de Nazaré – Jesus, Maria e José – e da Santíssima Trindade.

“Faça-se, cumpra-se, seja louvada e eternamente glorificada a justíssima e amabilíssima Vontade de Deus sobre todas as coisas – Amen. Amen” (Caminho, nº 691).

Santo Natal!  



Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada