Uma arma poderosa

Todos os dias somos confrontados com cenas de incrível violência: umas vezes, são terríveis atentados terroristas; outras, são assassinos que, armados até aos dentes, disparam contra tudo e contra todos. Também há as vítimas silenciosas dos regimes que espezinham os direitos humanos, em nome de alguma ideologia ou, apenas, de um qualquer tirano, como na Coreia do Norte e na Venezuela, na China e na Síria.

Também na Europa, não obstante a aparência civilizada e pacífica das nossas sociedades postmodernas, há dramas escondidos por detrás de uma imagem de sofisticado bem-estar: famílias desunidas, crianças mortas antes de nascer, filhos ignorados pelos pais, irmãos desavindos, velhos abandonados em lares da terceira idade, reduzidos a meros utentes de uma instituição social.

Ante este cenário, que não peca por exagerado, nem por pessimista, há duas hipóteses: fingir que está tudo bem; ou fazer da indignação uma bandeira e do protesto uma arma. Muitas vezes se usou e abusou do conformismo dos católicos e muitos fiéis se esqueceram de que, os seus direitos cívicos, são também graves deveres de intervenção social. É verdade que, por força das convicções cristãs, não se podem usar para o bem os mesmos métodos e armas que outros usam para o mal, mas os cristãos têm uma eficacíssima arma: o Santo Rosário!

Sim, o terço de Nossa Senhora é, como dizia São Josemaria, uma arma poderosa. Não é uma devoção piegas, mas um hino de combate. Os frades que arremeteram contra a heresia dos cátaros, usaram com êxito esta arma. A armada cristã que, em 1571, se opôs, em Lepanto, às forças otomanas que então ameaçavam a liberdade europeia, venceu o combate desigual pela força do rosário: por isso, o Papa São Pio V instituiu a festa de Nossa Senhora do Rosário no dia 7 de Outubro, memorável aniversário dessa vitória naval.

Quando, em 1917, Nossa Senhora apareceu aos três pastorinhos, em Portugal combatia-se ferozmente a Igreja: todos os bispos diocesanos tinham sido desterrados das suas dioceses, os jesuítas de novo expulsos do país, os feriados religiosos abolidos, etc. Nossa Senhora veio à Cova da Iria para dar aos pastorinhos uma arma para a restauração da liberdade cristã, tanto em Portugal como na distante Rússia, então prestes a mergulhar numa terrível ditadura anticristã.

Em todas e cada uma das seis consecutivas aparições mensais da Senhora mais brilhante do que o Sol, se repete a mesma petição pela reza diária do terço. Na última, a celestial interlocutora dá-se a conhecer como Nossa Senhora do Rosário e insiste, por sexta vez, na urgente necessidade dessa reza para alcançar a paz nas famílias, na Igreja e no mundo inteiro: “Quero-te dizer (…) que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas”. Não é certamente uma obrigação, mas que terrível insensatez e grave irresponsabilidade seria não aceder a este tão maternal e insistente pedido, condição para que, como prometido na aparição de 13 de Julho, em Portugal se conserve “sempre o dogma da fé”!

Todos, miúdos e graúdos, podem e devem rezar diariamente o terço de Nossa Senhora; devem-no fazer em família porque, como disse S. João Paulo II, uma família que reza unida, permanece unida. Rezemos pois, todos os dias, o Santo Rosário, na certeza de que essa é a arma que o Céu escolheu para vencer o mal do mundo e fazer triunfar, por fim, o Imaculado Coração de Maria!


Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada