Armando Alcobia Martins

Sondagem

Quando me falaram da existência do PADIS e me fizeram chegar a documentação de suporte a este Programa, o primeiro impulso foi o de: “arquive-se em mais um curso”. Contudo, um olhar um pouco mais cuidado pousou nos testemunhos de alunos de PADIS anteriores que referiam ter ultrapassado o mesmo problema que eu sentia, sempre que pensava em qualquer tipo de formação – tempo disponível.

 

Procurei informar-me diretamente com alguns deles e abordar a minha segunda preocupação, que se prendia com a tendência, mais ou menos generalizada, de se incluir matérias que além de pouco interessantes, servissem apenas para “preencher” algumas horas de programa. Disseram-me que: se gostasse de trabalhar em grupo e de participar em discussões interessantes, dar-me-ia bem com o PADIS.

 

PADIS

O PADIS, além de outros méritos, surpreendeu-me de imediato pela Organização e Rigor que impunha. Os horários, a informação disponibilizada, a pontualidade dos Professores, tudo transparecia a experiência acumulada de vários anos, que maturou circuitos e procedimentos, até chegar a um nível de efetividade extremamente elevado.

 

Aquilo que, sendo extrínseco à AESE, apesar de uma triagem inicial, poderia criar alguma entropia no processo – os alunos,- transformou-se num fator determinante para o sucesso deste Programa.

 

O entendimento que transparecia no seio de cada grupo e que rapidamente extravasou para as discussões em sala, favoreceu e enriqueceu a discussão das matérias, e permitiu chegar ainda mais fundo na análise dos vários assuntos.

 

O Método do Caso

Provavelmente a melhor abordagem atendendo à média etária dos alunos e à diversidade das suas formações. O encaixe da abordagem em grupo para contrariar o efeito "pós-prandial" das magníficas refeições e esmerilar o trabalho mais solitário, efetuado durante a semana anterior, tinha o condão de espicaçar os vários elementos na defesa das suas convicções, até que congregando a diversidade se encontrava o veredito final do grupo. Muitas vezes a nossa opinião formatada no trabalho de todo o grupo era novamente “negociada” na discussão final em sala e era com muito agrado que recebíamos decisões finais dos casos em que a nossa abordagem era considerada.

 

A maior parte dos casos era imensamente rica em termos de discussão, proporcionando a ferramenta ideal para que os experientes professores conseguissem filtrar todos os argumentos e construir a “verdade” final (que nem sempre existia).

 

Conferências-colóquio

É um privilégio assistir a uma conferência-colóquio em que tudo o que é dito tem peso, consistência e resulta da experiência adquirida em “cenário real”. Acresce que, pela dinâmica do nosso grupo, nem sempre fácil, a maioria dos professores conseguia acrescentar algo mais com o nosso contributo, adaptando, ainda melhor o tema à nossa realidade profissional e pessoal. No final destas conferências, onde o relógio acelerava demasiado, ainda ecoam os aplausos sinceros de todos os alunos que desta forma agradeciam a partilha de conhecimentos.

 

Resumo

Foi uma experiência muito recompensadora pelo facto de usufruirmos de um ambiente de trabalho fantástico e de sermos chamados a intervir de uma forma perfeitamente natural e integrada. O trabalho prévio, feito em casa, tornou-se numa rotina muito interessante e que permitiu a cada um de nós aperceber-se que sempre que necessário, é possível arranjar tempo para se fazer algo de novo. Creio que todos sentiram uma enorme cumplicidade, amizade e solidariedade. Este companheirismo está latente na maioria de nós, apenas precisa de ser despoletado pelos bons motivos e creio que foi isso que sucedeu. Um grupo de pessoas que na sua maioria não se conhecia, decidiu investir um pouco do seu precioso tempo e verificou que houve um retorno quase imediato, em conhecimentos adquiridos, mas fundamentalmente num novo grupo de amigos que partilharam os mesmos problemas e que os souberam resolver.

 

 

Armando Alcobia Martins | 8º PADIS

Diretor dos Serviços Farmacêuticos do Hospital Garcia de Orta