Durval Campos Costa

As experiências da nossa vida, quando apreciadas atentamente e sem deixar de lado os componentes afetivos e intelectuais, originam mais sabedoria e alargam os horizontes de realização e prazer pessoal.

 

O bom senso ajuda-nos a ultrapassar dificuldades do dia a dia. A discussão apoiada na apresentação clara de argumentos, uns a favor, outros contra qualquer opinião pessoal, é a base do entendimento coletivo, de grupo, que nos permite progredir, decidir melhor e evitar alguns erros por defeito ou por excesso.

 

Em todos os casos, uma opinião nunca vem só, merece companhia. Quer dizer, a variedade de pontos de vista, a multiplicidade de formas de abordagem, as inumeráveis possíveis soluções sem certezas para o futuro, fazem com que um grupo enriqueça sobremaneira as possibilidades de cada elemento. A humildade tem que afastar o egoísmo, a boa disposição une os membros e a perspetiva visionária pode melhorar significativamente o porvir, através de metodologias de gestão mais abrangentes e, por que não dizê-lo, adequadas, corretas. Este tipo de abordagem metodológica tem sido usada com sucesso pela AESE nas ações de formação regular para Executivos através do Método do Caso, uma das razões que me fez decidir participar no 9º PADIS. Uma outra razão foi o facto de o programa se realizar no Porto, com uma agenda que permite conciliar aspetos múltiplos da vida pessoal de cada um, tais como a família e a profissão. Mas houve ainda uma outra – o caráter humanista – que me foi claramente identificado aquando da entrevista de pré-participação.

 

Durante todo o percurso de 12 semanas, foi evidente que as vantagens do método marcavam em cada semana a aprendizagem de novos conceitos, mas incluíam uma faceta de multidisciplinaridade e convivência multi-institucional aceite e também promovida por todos os participantes. Como em poucas outras situações, os setores “público” e “privado” (quer dizer, os seus membros) uniram-se com objetivos comuns e discussões “imparciais”, mobilizando o grupo para um trabalho sério e com boa disposição frequente. Os valores adquiridos foram marcantes.

 

Ao fim desta viagem programática de reaprendizagem sobre gestão em saúde, sinto que o comentário de Francis Bacon (nado 1561, falecido 1626) e conhecido por todos – “knowledge is power, but honesty is authority”* merece um outro comentário muito pessoal – “o poder acaba-se, mas o conhecimento evolui – a autoridade é mutável, mas a honestidade quando existe, tende a ser permanente”. Nestes tempos de crise global, é também muito apropriado lembrar um outro filósofo mais contemporâneo que disse: “Economiser, au sens vrai et sain du mot, cela signifie surtout réserver pour mieux donner”**, na sua obra Diagnostics de 1940. Falo obviamente de Gustave Thibon (nado 1903, falecido 2001) galardoado da “Académie Française” com o “Grand prix de littérature” e o “Grand prix de philosophie”, respetivamente em 1964 e 2000.

 

Enfim, participar no 9º PADIS foi para mim uma experiência muito positiva que recomendo sem hesitação.

 

 

Durval Campos Costa

Diretor Clínico do HPP Medicina Molecular, SA | 9º PADIS

 

 

* "Conhecimento é poder, mas honestidade é autoridade."

** "Economizar no verdadeiro e são sentido do termo, significa sobretudo reservar para melhor dar."