João Ramalho Fontes

Ao inscrever-me no programa PADIS, pretendi ter uma perspetiva de como se dirige uma instituição de saúde. O aspeto de gestão de recursos humanos é o que mais me preocupa na minha atividade de direção de um serviço hospitalar.

 

Por informação de outros alunos de cursos anteriores, fiquei estimulado e interessado. Era referido como particularmente útil o exame de casos concretos de diversos tipos de empresas.

 

O Método do Caso

O estudo prévio dos casos, a discussão em pequenos grupos, a discussão mais alargada nas aulas, por professores muito competentes, faz progredir e dá pistas para o desempenho dos profissionais, para além de estabelecer contactos pessoais que só valorizam as relações interprofissionais.

 

O espírito saudável de entreajuda que facilmente se estabelece nos grupos é rapidamente um dado adquirido. O ambiente geral do Curso e dos seus orientadores é muito propício a este estado. A pontualidade é ponto de honra.

 

Com o decorrer do programa, tenho descoberto novas perspetivas e métodos de avaliar situações comuns, quer quanto a aspetos técnicos, quer a custos e a métodos de racionalizar recursos. Também obtive ajuda no que à contabilidade diz respeito, embora, neste aspeto, e por deformação demasiado técnica da minha área, a Neurologia, a visão do contabilista é muito diversa da minha. Mas também aqui houve aprendizagem. É surpreendente como determinados métodos de trabalho seguidos na indústria e serviços, podem ajudar a encontrar soluções para lidar com todos os temas que à Saúde dizem respeito. O Caso do "Método Toyota" foi particularmente interessante, porque pemitiu verificar os motivos que enformam os píncípios de eficiência, de atratividade e de unidade no desempenho dentro das empresas.

 

Foi muito proveitosa a visita à Clínica Universitária de Navarra, em Pamplona. Assiste-se a uma cadeia de procedimentos, exemplares para os doentes, muito úteis para uma contínua formação dos que trabalham em tão fantástico serviço de saúde. Desde os mais pequenos pormenores ao mais elaborado procedimento técnico.

 

Será, sem dúvida, uma instituição a "mirar" como um modelo. A tecnologia que existe não se sobrepõe nunca aos aspetos e valores da vida humana que está em sofrimento.

 

Quase a chegar ao fim do Curso PADIS, acho que valeu bem a pena.

 

É perfeitamente compaginável com o nosso trabalho hospitalar regular. Aconselho vivamente qualquer profissional de saúde que se inscreva e participe.

 

 

João Ramalho Fontes

Diretor Serviço Neurologia | Hospital de S. Marcos